Famílias indígenas denunciam invasão e destruição de roçados

Manaus (AM) – Pelo menos onze famílias indígenas do povo Kambeba tiveram roças destruídas e a área onde moram invadida por pessoas que anunciavam intenção de lotear e vender terrenos. A área em questão fica no perímetro urbano da cidade de São Paulo de Olivença, na região do Alto Solimões, município a 975 quilômetros de Manaus.


Segundo os indígenas, o local onde eles moram se chama Castanhal do Ajaratuba e é habitado há muitos anos por famílias Kambeba. Nos últimos dias, moradores das vizinhanças estariam entrando na área, cometendo furto de equipamentos de agricultura e destruindo roçados com máquinas pesadas supostamente para criar loteamento.

O Secretário de Terras e Habitação do Município de São Paulo de Olivença, Zilmar Freitas, confirma que a Prefeitura deslocou maquinário para o serviço. Ele explica que a ação decorreu de pedido de moradores durante reunião realizada dias atrás. Os moradores em questão são de uma área denominada Morro, próxima ao Castanhal do Ajaratuba.

Os indígenas, porém, contestam a pretensão dos moradores do Morro e dizem que não teriam sido informados da referida reunião. “Nós estamos aqui há muitos anos, sempre vivemos em paz sem incomodar ninguém. Agora, estão entrando e destruindo o que nós plantamos”, diz Eronildes Souza, uma das lideranças da localidade.

O município de São Paulo de Olivença tem uma população de 40.073, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e aproximadamente 15 mil indígenas, majoritariamente Tikuna, Kambeba e Kaixana.

Os indígenas dizem que dentro da cidade há outros focos de conflito pela posse da terra e, em ano de eleição, isso pode ter influência de alguns candidatos.

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