Ala militar insatisfeita com saída de Moro; Villas Bôas contemporiza

O after day da política no Brasil revela que o país está dividido. E não só entre os mortais eleitores. Um dos generais mais influentes, Eduardo Villas Bôas reforçou sua admiração pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Em declaração ao Estado, Villas Bôas rasgou elogios a Moro e evitou comentar sobre a situação política do governo. “Está muito cedo para avaliar as consequências”, ressaltou. “Por enquanto, eu só tenho a lamentar do ponto de vista pessoal.”

O ex-comandante do Exército lembrou que, na assessoria no Palácio do Planalto no início do governo, pode conhecer o ex-juiz da Lava Jato. “Trata-se de uma pessoa que fez história, com base nos princípios éticos, com quem eu me identificava e tinha a honra de desfrutar da amizade”, afirmou Villas Bôas.

Como a quase totalidade da cúpula das Forças Armadas, Villas Bôas nunca escondeu a admiração pelo ex-juiz da Lava Jato. As declarações do general, por sua vez, sempre tiveram forte impacto na área militar. As palavras comedidas costumam indicar rumos no setor.

Grupo insatisfeito

Desde a exoneração de Maurício Valeixo da Polícia Federal, uma ala militar começou a mostrar insatisfação com as atitudes do presidente Jair Bolsonaro. A situação se agravou com o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Segundo o Correio Braziliense, a retirada do apoio ao presidente Jair Bolsonaro é uma das hipóteses discutidas entre os generais. De acordo com a reportagem, na visão deles, poderia levar à renúncia do chefe do governo.

Na quinta-feira (23/04), os generais passaram o dia tentando encontrar uma forma de manter Moro no governo. Segundo essa articulação, o então ministro  aceitaria a troca no comando da PF desde que pudesse indicar o nome do novo diretor-geral.

Os militares, que viam Moro como um dos principais pilares do governo, sobretudo em relação à bandeira do combate à corrupção, avaliam que Bolsonaro se isolou de vez. Internamente, dizem que ele virou um “presidente zumbi”.

 

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