Cachorro também é gente!

Lá pelo início da década de 90, o então ministro do Trabalho, Rogério Magri, proferiu uma das frases mais folclóricas dos últimos tempos. Para justificar o passeio de um cãozinho da família num carro oficial, Magri disse que “cachorro também é ser humano”.

Na época, houve muita gozação, o ministro foi motivo de piada e chamou a atenção da mídia. Depois disso, foi envolvido em casos de corrupção e, apesar de ter sumido, suas afirmações e neologismos perdurariam a vida toda. Lembrei do Magri por causa do terrível caso que envolveu a cachorrinha do supermercado e como ele – sem saber – profetizou o que se tornou, de certa forma, realidade.

Criança e cachorro

Quando eu era criança, há muitas décadas, crianças eram somente crianças e não participavam nem nas conversas dos adultos. A gente ficava brincando longe dos adultos. Deus-o-livre-e-guarde se a gente se metesse ou exalasse algum palpite ou comentário em meio a alguma conversa de gente grande. Só o olhar do pai ou da mãe era sinal de que quando chegasse em casa o chinelo ia cantar. Era assim mesmo!

Naqueles tempos, cachorro também era só cachorro. A gente não tinha muito contato, apego ou carinho. Alimentava o bichano com comida caseira mesmo, cuidava dentro do possível e assim era.

Mas, as coisas mudaram muito nas décadas recentes. Incorporamos à nossa rotina social, além dos bebês, esses seres que se transformaram em filhos. Aliás, muita gente prefere ter filhos de quatro patas que filhos humanos. É uma questão de escolha e quem sou eu para julgar?!

Mercado em alta

O mercado pet também cresceu muito e o Brasil é o terceiro maior em faturamento, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET). Só em 2017, o setor aumentou em 4,95% e movimentou cerca de US$ 20,3 bilhões.

Em 2018 deve encerrar o ano com crescimento de 9,8% nas vendas de produtos destinados aos bichanos. Um mercado e tanto, que movimenta a economia e emprega muita gente.
Por si só, os números traduzem nosso apreço, carinho e amor pelos animais de estimação que, mesmo com tantos mimos, se contentam com tão pouco. Um carinho, um tratamento ou cuidado, até mesmo algumas palavrinhas já são suficientes para selar uma fiel e eterna amizade.

Animal é mais humano

Aqui se aplica o velho ditado que diz que quanto mais se conhece o ser humano mais se ama os animais, porque é difícil entender o comportamento humano. Eu, por exemplo, tenho dificuldade em entender como alguém pode – no meio do expediente – ter coragem para pegar uma barra de ferro e usá-la contra um animalzinho inofensivo. Que ódio há nesse coração?

Seria ofensa ao bichano, chamar esse cidadão de animal porque o ser humano – consegue – ser tão cruel e maldoso, muito pior do que um animal que mata pra comer, por uma questão de sobrevivência.

Da natureza do ser

Mas, só pode ser alguém doente em algum nível psicológico ou emocional. Alguém que não recebeu amor, respeito, carinho ou compaixão não devolve isso pra sociedade. O cacto só vai dar cacto. Você não pode esperar que num belo dia apareça uma rosa no pé de cacto.

Cuidado na contratação

Outra consideração sobre o episódio e que não podemos deixar passar em branco diz respeito aos critérios de contratação de mão de obra, que deveriam incluir testes, avaliações psicológicas, cursos e treinamentos, pois fica evidente o despreparo do rapaz para atuar na área. Com uma personalidade tão destemperada, desequilibrada ou inconstante como esse rapaz pode atuar na segurança de um hipermercado?

Para trabalhar num mercado desse porte, imaginava-se que o processo seletivo fosse mais complexo e completo.

Muito mais que 1

Infelizmente, o segurança da empresa terceirizada do supermercado não é o único a cometer maus tratos contra animais. Ele é apenas mais um dos tantos que abandonam, molestam ou matam os bichanos e acabou se tornando símbolo por causa da crueldade. Com certeza, muito malfeitor pensará duas vezes antes de cometer o crime novamente.

A vida pela vida

Ora, ninguém é obrigado a gostar, tratar bem ou criar um gato, cachorro ou outro animal, mas, não é possível achar normal maltratar, machucar ou matar do nada. Também tem gente que acha um absurdo com tantas crianças morrendo no mundo, ter pessoas que lutam pelos direitos dos animais. Gente um crime não justifica o outro.

Cada um luta pelo que acha justo lutar. A gente se identifica com uma causa e pronto! Importa estar trabalhando por algo que seja proativo nesse planeta. De novo, o que precisa ser resguardado é o direito e respeito à vida de gente ou de animal.

Também sou contra os excessos e há muito defensor de animal que exagera na dose e passa dos limites. Defender animal à base de ódio e violência não faz nenhum defensor melhor que criminoso. Vamos manter o equilíbrio e o amor à vida. Isso pra mim é imexível!

www.cristinamonte.com.br

*Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM.

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