Tática de Sérgio Moro dá certo e Gilmar Mendes recua

Curitiba (AM) – Na segunda-feira, 19/3, ao despachar um decreto de prisão do empreiteiro Gerson Almada, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Moro deu um recado ao Supremo e citou o nome dos ministros que estariam planejando ir contra os desejos da Operação Lava Jato.

De acordo com o magistrado, qualquer mudança nesse entendimento retrocederia a Lava Jato e prejudicaria as investigações. Em outras palavras, o juiz falou que seria um grande desastre.

Mesmo assim, Moro afirmou acreditar que a Corte não iria agir contra a operação e disse que ela é composta por renomados ministros. Nesse momento, Moro citou apenas aqueles que podem ser contra a prisão após a condenação em segunda instância. Os nomes citados pelo juiz foram: Rosa Weber, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski.

O recuo de Mendes

Numa decisão surpresa e após supostamente ter ouvido as críticas de Sérgio Moro, o ministro Gilmar Mendes informou à colunista Andreza Matais, do jornal O Estado de São Paulo, que vai indeferir o habeas corpus coletivo que foi apresentado por um grupo de advogados do Ceará.

O documento que chegou às mãos de Mendes tem as características de ser um ataque a ministra e presidente do STF, Cármen Lúcia, e uma tentativa de salvação do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, para evitar que ele seja preso.

No documento dos advogados existe uma revolta contra a atitude da ministra por não pautar o assunto sobre a prisão após condenação em segunda instância. Segundo Mendes, o habeas corpus coletivo é amplo demais e poderia ser benéfico para qualquer tipo de preso.

Poderia resultar na soltura de todos os presos da segunda instância. O ministro poderia ajudar Lula, mas entraria em sérios problemas com a Corte ao passar por cima de Cármen Lúcia. Mendes declarou que o habeas corpus coletivo é uma loucura, pois todos os casos devem ser vistos separadamente.

Execução provisória

O decreto de prisão feito por Sérgio Moro para o empreiteiro Almada pode ser visto como um recado a Lula. Os passos dos dois condenados serão os mesmos.

Após o Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF-4) liberar o processo do ex-presidente para o magistrado, Moro dará a sua execução provisória e pode pôr o petista na cadeia.