‘STF censurou imprensa ao mandar retirar matéria que liga Toffoli à Odebrecht’, diz Serafim

Manaus (AM) – O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) classificou como “censura” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou na segunda-feira (15) que o site “O Antagonista” e a revista “Crusoé” retirem do ar reportagens e notas que citam o presidente da Corte, Dias Toffoli.

“Quero dizer daqui que tenho confiança no ministro Dias Toffoli, e também no ministro Alexandre de Moraes, mas eles estão equivocados, eles estão censurando a imprensa e eu quero aqui dizer de forma bem objetiva, bem clara, bem direta, manifestar a minha solidariedade à imprensa brasileira de modo geral”, disse Serafim durante discurso nesta terça-feira (16) na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM).

Moraes definiu multa diária de R$ 100 mil e mandou a Polícia Federal ouvir os responsáveis do site e da revista em até 72 horas. Segundo reportagem publicada pela revista na quinta (11), a defesa do empresário Marcelo Odebrecht juntou em um dos processos contra ele na Justiça Federal em Curitiba um documento no qual esclareceu que um personagem mencionado em email, o “amigo do amigo do meu pai”, era Dias Toffoli, que, na época, era advogado-geral da União.

“O Brasil vive um momento muito delicado e sensível. A partir de um determinado momento o instituto da delação premiada passou a ser usado em larga escala, e da forma mais irresponsável possível. Eu entendo que esse instituto precisa ser revisto, não pode ser nos moldes em que está. Porque alguém preso há um ano, há dois, ele vai acusar quem os seus investigadores pedirem para que ele acuse. A imprensa, do outro lado, deve registrar o que eles contarem. Isso é liberdade de imprensa. Qualquer coisa fora disso é censura”, avaliou Serafim.

O parlamentar concluiu afirmando que o caminho para aqueles que se sentem caluniados é a Justiça, e não a censura. “Todas as vezes que alguém se sentir agredido, se sentir ofendido, caluniado, difamado, injuriado, ele deve recorrer à Justiça. É verdade que esses processos demoram, mas nós temos aí o exemplo recente da deputada federal Maria do Rosário, que agredida pelo humorista Danilo Gentili, recorreu à Justiça e ele foi condenado”, declarou.

O caso

Conforme a reportagem da revista Crusoé, no e-mail, Marcelo tratava com o advogado da empresa – Adriano Maia – e com outro executivo da Odebrecht – Irineu Meireles – sobre se tinham “fechado” com o “amigo do amigo”. Não há menção a dinheiro ou a pagamentos de nenhuma espécie no e-mail. Ao ser questionado pela força-tarefa da Lava Jato, o empresário respondeu: “Refere-se a tratativas que Adriano Maia tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. ‘Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antônio Dias Toffoli”. Toffoli era o advogado-geral da União entre 2007 e 2009, no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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