Política de Macri vai aumentar a pobreza na Argentina

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta segunda-feira, 3/9, uma série de medidas de austeridade para o país, que enfrente uma grave crise financeira e renegocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um programa de ajuda de US$ 50 bilhões. Entre as novas medidas, haverá uma redução na quantidade de ministérios e novos impostos à exportações.

O plano prevê uma redução drástica em seu governo, que passa a ter menos da metade dos atuais 22 membros, justificada pela “gravidade do momento”, o que, em sua opinião, exige “compactar” a equipe de governo para “dar a resposta focada na agenda que virá”.

O novo imposto taxará temporariamente, até o fim de 2020, os embarques de produtos primários em 4 pesos por dólar e do resto das exportações em 3 pesos por dólar. Com o dólar atualmente em 38 pesos, o imposto é quase de 10% do valor exportado, que no caso dos grãos de soja e seus derivados – dos quais a Argentina é um dos maiores exportadores mundiais – soma-se aos 18% já cobrados, segundo a agência Reuters.

Sobre a tributação às exportações, o presidente afirmou saber que “é um imposto ruim, muito ruim, mas tenho que pedir que entendam que é uma emergência”. “Temos que fazer todos os esforços para equilibrar as contas do Estado. Vamos pedir a quem tem mais capacidade para contribuir, os que exportam, que sua contribuição seja maior”, disse.

Novas medidas

Segundo Macri, a intenção do plano é dar aos mercados uma sinalização clara de controle dos gastos para conter o déficit orçamentário e a inflação, acelerada nos últimos dias por uma forte depreciação do peso argentino frente ao dólar.

“Não há uma ferramenta mágica”, afirmou Macri em pronunciamento. “Essa crise não é mais uma. Tem que ser a última”.

Em sua mensagem, de 25 minutos, Macri lamentou que a Argentina, “potencialmente um dos países mais ricos do mundo”, tenha um terço de sua população vivendo na pobreza.

Ele admitiu ainda que, com a desvalorização da moeda local, a pobreza irá aumentar, e afirmou que por isso anunciava um reforço nas políticas sociais para os últimos dois meses do ano, além de outras medidas para mitigar o impacto nos setores mais vulneráveis.

O Ministério da Agricultura informou que decidiu modificar os impostos de exportação de grãos, sementes oleaginosas e seus subprodutos. A Argentina é o maior exportador mundial de farelo de soja e óleo de soja e exportador líder de milho, trigo e soja crua.

Fonte: Agência Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *