Lula, o cabo eleitoral de Bolsonaro

O ex-presidente Lula da Silva está saindo do cenário político com o ego ferido. Nas últimas quatro sucessões presidenciais, Lula mandou e, sobretudo, desmandou no poder federal. Elegeu-se duas vezes e, num conto do vigário, transformou Dilma Rousseff presidente duas vezes. O poder de Lula parecia hegemônico, mas deve cair por terra no próximo dia 28.

Deve-se o infortúnio de Lula ao próprio Lula, que conseguiu converter Fernando Haddad, seu segundo poste, em candidato favorito a transformar Jair Bolsonaro no próximo presidente da República. Lula escolheu seu próprio caminho para o inferno ao imaginar que poderia prevalecer impondo uma nova solução doméstica petista. Ele não percebeu que a população frustrada com a Justiça, resolveu tomar para si a decisão de mudar o Brasil. Os primeiros sinais foram dados em 2013, quando o povo foi às ruas.

Lula errou quando avaliou que poderia derrotar facilmente Jair Bolsonaro, um político que soube vestir o antipetismo. Lula sabia que sua foto dificilmente estaria na urna de 2018. Poderia ter transferido eleitores para um candidato fora dos quadros do PT. Tinha em Ciro Gomes uma versão livre do contágio da Lava Jato. Mas preferiu a aposta mais arriscada. Ao lançar Fernando Haddad, descobriu tardiamente que o antipetismo é, hoje, mais forte que o lulismo. Lula chega ao fim da sua era como cabo eleitoral da ultradireita. Ele criou a figura do Bolsonaro.

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