Exército manda prender atores e celebridades

O Exército de Myanmar (antiga Birmânia) emitiu mandados de captura para seis celebridades, incluindo atores, acusados de incitar protestos contra o golpe de Estado, no mesmo dia em que foram detidos mais 11 funcionários públicos.

As autoridades militares anunciaram que foram emitidos mandados de captura por alegadamente apoiarem os protestos contra a junta militar.

Entre eles estão os atores Lu Min, Zin Wine e Pyay Ti Oo, a celebridade Na Gyi e o cantor Anegga, informou o exército através da agência militar True News. Na Gyi escreveu hoje na sua página do Facebook: “Não pararemos até que o ditador caia”.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, que cita fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, foram ainda detidos 11 funcionários públicos, sob a acusação de se terem associado ao movimento de desobediência civil para protestar contra o golpe militar de 1º de fevereiro que depôs o Governo de Aung San Suu Kyi.

Os funcionários estavam escondidos em casas fornecidas por uma associação filantrópica na capital, Naypyidaw.

Uma das iniciativas do movimento de desobediência civil contra o golpe de Estado são as greves iniciadas pelos trabalhadores do setor da saúde, que muitos funcionários públicos apoiando, o que está a paralisar a administração.

De acordo com dados compilados pela Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), as detenções por motivos políticos desde o golpe militar totalizam já 495 pessoas.

Protestos

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em Rangum e Mandalay, exigindo a libertação de Suu Kyi e do presidente Wun Myint. O golpe militar atingiu a frágil democracia do Miammar depois da vitória do partido de Suu Kyi nas eleições de novembro de 2020.

Os militares tomaram o poder alegando irregularidades durante o processo eleitoral do ano passado, apesar de as autoridades eleitorais terem negado a existência de fraudes.

A Junta Militar disse que vai manter-se no poder durante um ano, antes da realização de um novo ato eleitoral.

Na terça-feira, foi apresentada em tribunal uma nova queixa contra Suu Kyi para prolongar o regime de prisão domiciliária, em Rangum.

A líder da Liga Nacional para a Democracia – fortemente criticada pela falta de intervenção no genocídio do povo rohingya – já enfrenta processos sobre posse de aparelhos de transmissão considerados ilegais, enfrentando uma pena de três anos de prisão.

Na terça-feira, os militares ordenaram o bloqueio da Internet no país pelo terceiro dia consecutivo e está preparando legislação quer permite aos militares vigiarem as atividades dos utilizadores de computadores e telemóveis. (DN/RN)

 

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