EMA vai investigar se ensaios da Sputnik respeitaram padrões

A Agência Europeia de Medicamentos vai iniciar uma investigação para verificar se os testes clínicos da vacina russa Sputnik V respeitaram os padrões científicos e éticos apropriados, revela o “Financial Times”.

A investigação, que terá início na próxima semana, responde à preocupação do regulador europeu sobre a possibilidade de esses ensaios não obedecerem às “boas práticas clínicas”, acrescenta o jornal britânico. A nível internacional, existem padrões acordados para garantir que os ensaios de medicamentos sejam concebidos e realizados de forma adequada, lembra o jornal.

A Rússia indicou que militares e funcionários públicos participaram nos testes da vacina, desenvolvida num laboratório estatal e financiada pelo Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), um fundo soberano do Kremlin. O chefe do RDIF, Kirill Dmitriev, disse ao “Financial Times” que não houve pressão sobre essas pessoas para participarem nos testes e enfatizou que a Sputnik V cumpria “todas as práticas clínicas”.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglÊs) ainda não decidiu se esta vacina russa será usada nos países da União Europeia. Dmitriev observou que os reguladores dos 59 países que já aprovaram o Sputnik V verificaram “rigorosamente” todos os dados e ficaram satisfeitos por seguirem as “boas práticas clínicas”.

No início do mês, o secretário de Estado para os Assuntos Europeus francês afirmou que a vacina russa contra a covid-19 Sputnik V não deverá estar autorizada na UE antes do final de junho. “Há uma primeira fase de avaliação que se chama de revisão científica que, dizem-nos com segurança, não terminará antes de meados de junho”, disse Clément Beaune, em declarações ao Senado. “E há ainda uma etapa final, que é o parecer da Agência Europeia de Medicamentos, sobre a autorização de comercialização, que leva mais algumas semanas. Portanto, a vacina não deverá ter autorização para ser aplicada antes do final de junho”, explicou.

A vacina Sputnik V já é usada em vários países, inclusive na América Latina. Entre os 27 Estados-membros da UE, apenas Hungria, Eslováquia e República Checa decidiram até agora usar a vacina russa, optando por não esperar pela validação por parte da EMA. A Áustria anunciou entretanto estar a negociações com a Rússia para receber em breve um milhão de doses da Sputnik V.

*Com informações do JN e agências

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