Morre Zezinho Corrêa, o ídolo amazonense do ‘Tic Tic Tac’

Os tambores silenciaram na manhã deste sábado (6). Morreu na UTI do hospital Samel  o cantor Zezinho Corrêa, um dos maiores  ídolos da música amazonense. Ele estava internado no hospital Samel, após testar positivo para a Covid-19. O cantor ficou famoso internacionalmente nos anos 90 com o hit ‘Tic Tic Tac’, do grupo Carrapicho.

Com o agravamento da infecção ocasionada pela doença, o cantor chegou a ser intubado e também sofreu uma traqueostomia.

Zezinho Corrêa foi internado com Covid-19 no dia 5 de janeiro, após sentir febre  e dores no corpo no dia anterior. Na unidade de saúde, ele recebeu medicação e fez fisioterapia pulmonar. No dia 7, foi transferido para um leito de UTI da Samel, para dar continuidade ao tratamento.

O cantor fez sucesso na Europa e Brasil nos anos 90, com o hit “Tic Tic Tac”. No dia 28 de dezembro, o cantor participou do lançamento do livro em homenagem à sua carreira. A solenidade ocorreu no Centro Cultural Palácio Rio Negro. Atualmente, ele trabalhava como assessor de projetos sociais no Sesc Amazonas.

Antes do sucesso internacional, no início dos anos 80, Zezinho Corrêa já era sucesso no Amazonas e comandava as noites de sexta-feira  no Clube Elamtur, onde hoje fica localizada a Universidade Nilton Lins.

A morte de Zezinho Corrêa impactou toda a sociedade. 

O poeta Tenório Telles homenageou o amigo:

 O tic-tic-tac das araras

                                                                                                                Tenório Telles

Querido Zezinho,

Hoje de manhã acordei com a cantoria

de um casal de araras:

Ao abrir a janela – encenavam

seu canto desajeitado e belo.

Estavam num açaizeiro

comendo os frutos: tic-tic-tac…

Notei que o dia aos poucos

ia se colorindo de azul, vermelho e amarelo.

Achei tudo surpreendente:

Elas nunca tinham aparecido antes.

Logo depois soube que partiste.

Como acredito no invisível

e no mistério das coisas,

pensei que as araras estavam

cantando e colorindo a manhã

para te celebrar – como antigamente

se celebravam os artistas, os poetas e os heróis.

Também pensei que aquelas araras podiam

estar levando teu Ser

[esse grão de eternidade

com que nascemos]

para o paraíso dos bons

dos que encantam a vida

e a ajudam a ser melhor.

Com teu canto, Zé, levaste

pra tantos lugares

pra terras distantes

o nosso chão e a nossa gente.

E agora – Zé – as araras se foram:

Só vieram te saudar…

Com o choro preso na garganta,

não consigo entender por que

essas coisas acontecem.

Nossa cidade vive enlutada

com tantas partidas,

com a dor de pais, mães, filhos

– tantas amizades e amores quebrados…

: Manaus se tornou uma cidade sitiada pela dor,

os cemitérios não param de crescer…

E agora – Zé – essa nuvem de suplício

te levou também de nós:

mais que a dor da perda,

daqui pra frente – a dor maior

será viver sem o teu canto,

sem a tua alegria

e sem a bondade dos teus gestos.

Zé,

que as araras te acompanhem

e chegues bem ao lugar onde

os bons descansam da lida do mundo

– e o grão do teu ser

floresça belo e luminoso

e de lá sigas cantando

e encantando nossas vidas.

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