Wilson Lima age como genocida; deputados estaduais silenciam

Manaus (AM) – A incapacidade do governador Wilson Lima está levando à morte centenas de pacientes no Amazonas. Protegido por deputados da base aliada na Assembleia Legislativa, Lima transformou os hospitais de Manaus em campos de concentração. As pessoas internadas nas unidades de terapia intensiva estão morrendo asfixiadas por falta de oxigênio. Não foi feito um planejamento para que se enfrentasse a segunda onda da pandemia com reserva de equipamentos, leitos e cilindros de oxigênio. O governador preferiu investir no “Peladão” e numa árvore de Natal que custou R$1,5 milhão dos cofres públicos.

Com o silêncio dos deputados estaduais, o senador Eduardo Braga (MDB) e o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto, recorreram às redes sociais para pedir a intervenção federal no Amazonas. Ontem, morreram 28 pessoas no Hospital 28 de Agosto por falta de oxigênio. Nesta quinta-feira (14) dados iniciais indicam que somente no Hospital Platão Araújo, sete pessoas agonizaram até a morte por falta de oxigênio.

O Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), unidade da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ficou cerca de quatro horas sem o insumo na manhã desta quinta, o que gerou desespero entre os profissionais, segundo relatou ao Estadão uma médica da unidade.

“Colegas perderam pacientes na UTI por causa da falta de oxigênio. Eles ainda tentaram ambuzar (ventilar manualmente), mas foi só para tentar até o último recurso mesmo, porque é inviável manter isso por muito tempo. Cansa muito, tem que revezar os profissionais. Chamaram residentes para ajudar na ventilação manual. A vontade que dá é de chorar o tempo inteiro. Você vê o paciente morrendo na sua frente e não pode fazer nada. É como se ver numa guerra e não ter armas para lutar”, disse. Por volta das 12h, HUGV recebeu alguns cilindros de oxigênio, mas a estimativa era a de que eles seriam suficientes para apenas duas horas.

De acordo com relatos de profissionais de saúde de Manaus postados nas redes sociais, a maioria dos hospitais sofre o mesmo problema. Há registro de falta do insumo nos hospitais Fundação de Medicina Tropical e nos serviços de pronto-atendimento (SPAs) da capital amazonense.

O procurador de Justiça Públio Caio Dessa Cyrino, que tinha um filho internado no Hospital Fundação de Medicina Tropical, disse ao Estadão que pela manhã não havia oxigênio para nenhum dos pacientes. “Minha nora me ligou às 5h, quando ela foi lá visitá-lo, avisando que tinha acabado. Ele estava no terceiro dia de UTI e evoluindo bem. Por sorte eu tinha uma ‘bala’ de oxigênio em casa e corri para o hospital para levar para ele. Quando cheguei com a bala na mão, vi o olhar de desespero dos médicos, servidores. Eles estavam em choque, sem poder fazer nada.”

Cyrino conta que o filho, de 36 anos, começou a se sentir mal há quase duas semanas, mas logo no início não achou vaga em hospital e ficou em home care, por isso ele tinha oxigênio. “Isso aqui é uma praça de guerra. E esse governo irresponsável não se planejou para a guerra, apesar de saber que ela iria ocorrer”, disse.

Ele conseguiu contratar uma UTI aérea e ia transferir o filho para São Paulo agora à tarde. “Eu consegui, mas quantas centenas não têm como fazer isso e podem morrer hoje?”

NOTA DA REDAÇÃO: O governador Wilson Lima, assessorado por moleques incompetentes, ao se dirigir à população, não mostra qualquer expressão de sofrimento com as dezenas de mortes que ocorrem diariamente. Se comporta como estivesse no picadeiro da TV A Crítica, e não apresenta qualquer preocupação em ser afastado do executivo estadual. Confia na cumplicidade dos deputados estaduais. Estes não podem ser esquecidos nas próximas eleições. Em agosto do ano passado, pesquisadores da Fiocruz que trabalhavam no Hospital Delphina Aziz, alertavam que a reabertura do comércio provocaria uma segunda onda da pandemia, podendo atingir o número macabro de 500 mortes/dia.

 

 

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