Diretor-presidente se ‘apropria’ da TV Encontro das Águas, pratica assédio moral e ameaça suspender salários

Manaus (AM) –  O diretor-presidente da Fundação Televisão e Rádio Encontro das Águas (Funtea), Oswaldo Lopes, implantou uma política de perseguição aos funcionários, praticando assédio moral e desrespeitando protocolos que devem ser adotados durante a pandemia no novo coronavírus.

Osvaldo Lopes responde a mais de 20 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo; além de quatro processos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), a maioria delas por estelionato, execução fiscal e execução de título extrajudicial.

Lopes que foi contaminado pela Covid-19, está obrigando os servidores a trabalharem em ambientes fechados e infectados, o que pode ter matado, no último dia 8, o colaborador da emissora Jânio de Souza Cruz, que atuava como motorista e, mesmo assim, a direção da emissora insiste em descumprir decreto estadual e determinar escalas com trabalho presencial.

A contaminação pelo coronavírus, do cantor Zezinho Corrêa, pode ter ocorrido dentro das instalações da TV e Rádio Encontro das Águas. Zezinho foi internado entre a vida e a morte, após live nas instalações da TV. Um outro funcionário também contraiu a Covid-19 e segue lutando pela vida na Clínica Santo Alberto.

Uma ação está sendo movida por funcionários e colaboradores para denunciar o descaso da direção da emissora. Na ação consta que “as instalações da TV e Rádio Encontro das Águas se transformaram em verdadeiro foco do novo coronavírus nessa segunda onda da pandemia em Manaus”.

Segundo ainda a denúncia que chegou ao portal, “a situação é desesperadora entre os trabalhadores, porque o diretor-presidente, embora esteja doente de Covid-19, obriga e exige que todos os profissionais estejam na sede da emissora para trabalhar, e nós sabemos que até agora não foi providenciada uma limpeza geral, ou seja, uma desinfecção ou sanitização em todo o prédio da TV. Portanto, estamos expostos à Covid-19 e o que está em jogo são as nossas vidas e dos nossos familiares”, diz um dos funcionários que pede para não ser identificado por temer represálias.

O diretor, segundo as denúncias, tem se portado como um ‘ditador’ e vive ameaçando de demissão quem não cumpre as suas determinações.

Segundo os relatos, na primeira onda da Covid-19, o diretor-presidente da Fundação Televisão e Rádio Encontro das Águas (Funtea) adotou o sistema de home office, que funcionou perfeitamente. Mas, nessa segunda onda, Oswaldo Lopes  está obrigando todos os funcionários a estarem no sistema de trabalho presencial, por meio de escalas diárias e ininterruptas.

Assédio

Os funcionários também aproveitaram para denunciar o diretor-presidente da emissora, Oswaldo Lopes, por assédio moral.

Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público do Estado (MPE) por um grupo de funcionários, Oswaldo Lopes age como um ditador, sem ser ao menos profissional da área de comunicação.

“Ele humilha as pessoas, as trata com desrespeito, numa prática constante de assédio moral, entre outras situações”, afirmam os funcionários em denúncia coletiva.

Detalhes dão conta de que num dos casos de assédio moral, Oswaldo Lopes teria humilhado um funcionário na frente de várias pessoas na recepção da emissora de TV e Rádio.

“Por três vezes ele agrediu uma produtora antiga da TV. Uma dessas agressões verbais públicas ocorreu durante a realização da Expoagro, na frente de algumas autoridades. Outra, dentro da igreja de São José Operário, durante a transmissão de evento em novembro passado. Ele gritou tanto com a diretora que faltou pouco para um funcionário reagir e defender a vítima”, revela um dos colobaradores.

Segundo a denúncia, o ato violento dentro da igreja, causou revolta e medo entre os padres que teriam ficado assustados com a reação violenta e desproporcional do diretor. A cena de assédio foi vista por fiéis, além dos padres e vários funcionários da igreja.

 Ameaças e terror

Os funcionários também denunciam que o diretor-presidente vive ameaçando os funcionários de demissão.

Sem conhecer a dinâmica da Rádio e da TV, Oswaldo Lopes estaria exigindo serviços impossíveis, como cumprir pautas em curto espaço de tempo e até serviços no mesmo horário, quando determinados jornalistas estão cumprindo as obrigações diárias.

Processos

Oswaldo Jodas Lopes Filho, tem mais de 20 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo; além de quatro processos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

No Fórum Ministro Mário Guimarães ele responde na 31ª Vara Criminal por estelionato, o processo Nº 2119394-69.2020.8.26.0000, todos abertos nos fóruns de São José do Rio Preto, Araçatuba e Barra Funda.

No Amazonas, Oswaldo Jodas Lopes Filho, responde o processo de número 0331428-92.2007.8.04.0001, execução fiscal, segunda a decisão do Juiz Marco A. P. Costa bloqueou das sua contas o valor de valor de R$4.691,89.

“Proceda-se, segundo o art. 655-A do CPC, ao bloqueio das contas correntes do executado até o valor de R$4.691,89 , referente ao total do débito acrescido de 10% a título de honorários advocatícios. Após o bloqueio e a transferência para conta judicial vinculada a este processo, lavre-se termo de penhora sobre o valor bloqueado”, diz a decisão do Juiz.

Memorando

No dia seguinte as denúncias de assédio moral, o diretor disparou um memorando, segundo os funcionários, para pressionar ainda mais e medir forças com os colaboradores da emissora do governo.

Memorando

Memorando-Circular nº 01/2021-GDP/FUNTEA

Manaus, 15 de janeiro de 2021.

Aos

Diretores, Chefes de Departamento, Gerentes e

demais colaboradores.

Prezados colaboradores,

Ao cumprimentá-los, o Diretor Presidente do Sistema de Comunicação TV e Rádio Encontro das Águas, por intermédio do presente memorando circular, e no iniludível intuito de trazer alguns esclarecimentos acerca da funcionalidade deste órgão público, em razão do momento crítico que estamos atravessando, passamos a expor os seguintes apontamentos:

Inicialmente, convém esclarecer que somos prestadores de serviço público

essencial, uma vez que estamos enquadrados como serviço de de suspensão dos serviços prestados, devendo serem mantidos continuamente, sem qualquer tipo de interrupção. telecomunicações, conforme Art. 3°, § 1º, VI do DECRETO Nº 10.282, DE 20 DE MARÇO DE 2020, o que implica na impossibilidade. Assim, conforme o DECRETO Nº 43.271, DE 06 DE JANEIRO DE 2021, que dispõe sobre o funcionamento dos Órgãos e Entidades da Administração Direta e Indireta do Poder Executivo Estadual, que suspendeu as atividades presenciais e instituiu o teletrabalho, contudo, resguardando as atividades essenciais.

E ainda, conforme o DECRETO Nº 43.282, DE 14 DE JANEIRO DE 2021, que dispõe sobre a restrição de circulação de pessoas, como medida de enfrentamento da emergência de saúde pública, estão ressalvados o deslocamento dos profissionais de imprensa (IV) e deslocamento de agentes públicos para exercício de missão institucional (VI).

Assim, esclarecemos a necessidade do funcionamento integral do Sistema de Comunicação TV e Rádio Encontro das Águas, com o cumprimento da escala de trabalho presencial, bem como ao horário normal de expediente aos que estiverem em Home Office, esclarecendo que o não atendimento às demandas de trabalho acarretará falta, bem como as demais sanções cabíveis previstas no regime vinculado. Em caso de doença, reitera-se a necessidade de apresentação de atestado médico.

O memorando vem de encontro as determinações do governador Wilson Lima, que tem tentado evitar os atendimentos presenciais nas diversas atividades do governo.

Irritado com as denúncias,  Oswaldo Lopes ameaça, mesmo em casa não assinar a folha de pagamento do mês de janeiro e prejudicar os funcionários. “Quem manda sou eu. Nem o governador tem moral para contrariar minhas ordens”, comentou o diretor-presidente.

As denúncias contra o diretor já foram encaminhadas ao Sindicato dos Jornalistas e ao Ministério Público do Estado, segundo funcionários. O governador Wilson Lima já teria conhecimento das denúncias e deve se posicionar a qualquer momento sobre as graves denúncias contra Lopes.

Outras ameaças

Logo no primeiro dia, em que se apresentou como novo gestor da emissora, Oswaldo Lopes, segundo as denúncias dos funcionários, constrangeu um funcionário usando gravações de WhatsApp para começar a mostrar seu poder opressor, em uma reunião aberta a todos os colaboradores.

Em outra oportunidade, também em uma reunião aberta, o presidente acusou um funcionário de ter falado contra a sua honestidade. Sem revelar o nome do colaborador, mas deixando bem claro de quem se tratava, o presidente chamou o colaborador de canalha e disse que seria capaz de “ir para a porrada com ele”. “Isso aumenta a minha diabetes, um filho da p… desse mexer com a minha integridade”, falou em reunião.

“O funcionário teve que fazer um boletim de ocorrência para tentar frear as reações e ameaças exageradas do gestor”, revelam as denúncias.

Um outro colaborador que foi diretamente prejudicado por Lopes, precisou pedir sua disposição para outro órgão a fim de evitar embates e aborrecimentos com o gestor.

“Toda matéria em que ele não aparecesse, ele me chamava na sala dele e perguntava se eu tinha alguma coisa contra ele. Às vezes, ficávamos até tarde editando material só pra ele aparecer. Se tivesse ele e o governador, ele tinha que estar no vídeo dando seu depoimento. Às vezes, dava a impressão de que ele queria aparecer mais nas matérias do que o próprio governador”, disse o ex-colaborador.

‘A TV é dele’

Por diversas vezes, Lopes chegou a considerar e dizer que a TV pública é dele. Lopes não aceita que outros colaboradores tenham contato com a cúpula do governo. Desde que assumiu na TV, o gestor disputa a atenção, impõe sua presença e não aceita a amizade que outros membros da emissora possam manter com os governantes. Uma das funcionárias foi perseguida por Oswaldo Lopes desde o início da gestão, foi afastada durante a pandemia. Há casos também de ex-apresentadores e ex-repórteres da emissora que foram perseguidos e exonerados pelo gestor apenas porque Oswaldo Lopes não gostava da pessoa.

Em outra situação, também por conta da exigência de Lopes em ter funcionários trabalhando presencialmente na emissora, colocando em risco a saúde de pais e mães de família, uma funcionária foi ofendida, humilhada e teve seu nome citado com agressividade, em um grupo de trabalho da emissora, em uma postagem de voz do próprio presidente, justamente porque a mesma deu sua opinião sobre retorno ao trabalho presencial.

Maquiagem na sanitização

Segundo os funcionários é mentira a informação divulgada pela direção de que a emissora passou por vários processos de sanitização durante a segunda onda da pandemia de covid-19.

Apenas após a morte do funcionário Jânio Cruz, ocorrida no dia 8 de janeiro e de apelos dos próprios funcionários, que a direção da emissora se preocupou em realizar a sanitização da sede da TV.

De junho até o mês de dezembro do ano passado, os funcionários devem cumprir o sistema de trabalho presencial, com cobertura jornalísticas e gravações e transmissões realizadas ao vivo da própria emissora. E durante esse período não foi realizada nenhuma sanitização. No início de janeiro as condições de higiene da emissora se agravaram. E os casos de Covid na emissora se proliferaram.

Atualmente, a TV Pública do Amazonas contabiliza a morte de Jânio Cruz (que chegou a trabalhar na emissora durante o mês de dezembro) e, por conseguinte, as mortes de sua mãe e esposa, e a internação grave do cantor Zezinho Corrêa, que apresenta um programa na televisão Encontro das Águas, e dos funcionários Antônio Toga e Marlucia dos Santos Oliveira.

Contratação irregular

De acordo com o Portal da Transparência do Governo do Amazonas, o diretor-presidente da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (FUNTEC), Oswaldo Jodas Lopes Filho, contratou o Ibope para medir a audiência da emissora de televisão do Estado.

O número do contrato em questão: 028301.000321/2019, que teve duração de 12 meses (16/10/2019 a 16/10/2020), conforme o portal da transparência.

O valor global do contrato é de 203 mil 163 reais, que dividido por mês fica próximo dos R$ 17 mil.

Todo o valor saiu dos cofres do Governo do Amazonas para o pagamento a empresa Kantar Ibope Pesquisa de Midia Ltda.

Contrato irregular

Causa estranheza a TV do Governo do Amazonas contratar uma empresa de medição de audiência, uma vez que a emissora não tem fins comerciais e nem tem por objetivo concorrer com as demais redes de televisão.

Emissora sucateada

O Governo do Estado poderia ter investido o valor do contrato em equipamentos. Segundo funcionários, as três câmeras dos estúdios da emissora estão em operação desde o começo dos anos 2000 e não possuem tecnologia de alta definição.

Em consulta ao site da Sony (fabricante de câmeras filmadoras), é possível encontrar a câmera PXW-X320 XDCAM pelo valor R$ 48 mil.

Com o dinheiro gasto com Ibope, R$ 203 mil, daria para comprar quatro filmadoras.

Equipamento emprestado

O receptor de satélite, item principal para receber o sinal da TV Brasil, emissora a qual a TV Encontro das Águas é associada, é emprestado. O equipamento pertence à Band Amazonas. Sem ele, a TV estatal ficaria sem receber o sinal via satélite da programação Nacional.

Em consulta ao site de vendas Ebay, o receptor custa de R$ 3.317,93., enquanto o contrato com o Ibope custou R$ 203 mil.

Ouça a ameaça feita por Oscaldo Lopes

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