Ditadura chinesa financia jornais no Brasil

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mostram que o China Daily, jornal de língua inglesa controlado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), pagou aproximadamente US$ 19 milhões a veículos de imprensa espalhados pelo mundo para promover propagandas governamentais.

O acordo é fundamentado na publicação de propagandas pró-Pequim disfarçadas de notícias reais, um informe chamado de “China Watch“. Os documentos expõem as despesas de novembro de 2016 a abril de 2020.

Os registros da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA) mostram que nos últimos quatro anos o China Daily pagou cerca de US$ 6 milhões ao Wall Street Journal e US$ 4,6 milhões ao Washington Post.

Outros gigantes do jornalismo americano também estão envolvidos no compartilhamento das “notícias”: cerca de US$ 753 mil foram pagos ao Los Angeles Times; a revista bimestral americana, Foreign Policy, recebeu um montante superior a US$ 240 mil; enquanto o maior jornal do mundo, The New York Times, conseguiu 50 mil dólares.

O jornal brasileiro Folha de São Paulo, registrado como “Empresa Folha da Manhã S.A”, arrecadou cerca de US$ 405 mil como pagamento por compartilhar os conteúdos do China Daily. No mês de Janeiro de 2019, o Grupo Folha recebeu US$ 41,4 mil, um valor muito acima da média.

A Editora Globo e o Correio Braziliense também estão presentes no documento. A subsidiária do Grupo Globo recebeu aproximadamente US$ 109 mil, enquanto o jornal da cidade de Brasília arrecadou pouco mais que US$ 15 mil.

Ao todo, em anúncios, o China Daily gastou US$ 11 milhões. No Twitter, foram US$ 265 mil em propagandas, mesmo com a proibição da rede social no país. Os US$ 7,6 milhões restantes foram gastos com jornais impressos.

Como a publicidade chinesa

Embora a divulgação de seu governo seja uma ferramenta utilizada com muita frequência por outros países, a mídia estatal chinesa faz uso de métodos incomuns e nada transparentes para “comprar” os meios de comunicação estrangeiros. Desses métodos, estão o fornecimento de materiais gratuitos para seus parceiros e preço acima do normal na hora de comprar um espaço publicitário.

Com base nos registros anuais do China Daily junto ao governo dos EUA, sob a FARA, o orçamento e as despesas do jornal aumentaram dez vezes na última década; de cerca de US$ 500.000 no primeiro semestre de 2009 para mais de US$ 5 milhões em 2019. Cerca de US$ 3 milhões foram gastos apenas nos primeiros 4 meses de 2020.

Os dados também mostram que dos US$ 19 milhões gastos nos últimos 4 anos pelo China Daily para influenciar a política de outros países (principalmente nos EUA), mais de US$ 15 milhões foram apenas nos anos de 2017 e 2018.

A Analista de Pesquisa da Freedom House, Sarah Cook, afirma que as autoridades chinesas se referem a prática publicitária como “pegar um barco emprestado para chegar ao mar”. Portanto, o PCC possui uma motivação maior do que apenas divulgar seu governo.

Em fevereiro, o governo americano anunciou restrições a cinco meios de comunicação estatais chineses: Xinhua, CGTN, China Radio, China Daily e People’s Daily. As agências foram acusadas pelo governo dos EUA de servir como instrumentos de propaganda do governo chinês. Como resultado, foram forçadas a se registrar como embaixadas estrangeiras.

Folha de São Paulo e China Daily

No dia 29 de abril, a Folha de São Paulo publicou um informe publicitário com o intuito de destacar as ações chinesas contra o coronavírus. O texto é baseado no artigo publicado por Evandro Menezes de Carvalho, no site Poder 360, e cita as “lições” passadas pela ditadura que tentou esconder a COVID-19 do mundo.

Em seu Twitter, Rodrigo da Silva, fundador do Spotniks, questiona a publicação feita pela Folha e mostrou, através de matérias internacionais, que o China Daily pode ser o financiador desta campanha publicitária.

*Com informações do Diário do Brasil

 

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