Candidatos não apresentam soluções para Manaus

Equacionar a queda de arrecadação e administrar a grande demanda no segmento da saúde, educação e mobilidade no trânsito serão dois grandes desafios do próximo prefeito de Manaus. Na propaganda eleitoral, entretanto, os candidatos não demonstram capacidade técnica para solucionar os problemas.

Arrecadação

Um dos grandes desafios para o próximo prefeito será lidar com a queda na arrecadação de impostos após a pandemia de covid-19. Com a diminuição da atividade econômica e o aumento do desemprego, a tendência é que os municípios arrecadem menos e, assim, tenham recursos escassos para investir em setores importantes, como educação, saúde e mobilidade. No geral, a arrecadação das cidades brasileiras se divide entre recursos próprios, como IPTU e ISS, repasses dos governos federal, com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e verbas oriundas dos governos estaduais, como uma participação no bolo do ICMS.

O peso de cada um deles depende de fatores como o tamanho do município e a maneira como o tributo é cobrado. Tirando o IPTU, os outros impostos dependem da atividade econômica, pois incidem sobre o consumo.

A arrecadação caiu 4%, menos do que os 20% que projetava durante a pandemia. Isso ocorreu por causa do auxílio emergencial de R$ 600. Esse valor manteve um certo consumo das famílias.

Caso a economia não melhore depois do fim do auxílio, é possível que Manaus tenha menos verbas para investir em políticas públicas. Se não houver um impulso na arrecadação, a cidades só vai conseguir pagar custos fixos, como salários.

Uma das soluções seria uma reforma tributária que substitua o ICMS por alguma taxa mais simples e que incida sobre a renda – e não sobre o consumo.

Saúde

Além de lidar com os casos de covid-19 – que sem uma vacina devem continuar aparecendo -, o próximo prefeito também terá que dar conta de todas as outras questões de saúde que ficaram “na geladeira” durante a quarentena.

Manaus terá um cenário muito mais difícil do que já era, com uma demanda reprimida que será gigantesca. Além do descaso com a saúde na administração do governador Wilson Lima – como caso de corrupção e superfaturamento na compra de respiradores -, o próximo será obrigado a combater quatro consequências geradas pela pandemia:

A primeira é o aumento na demanda por exames e consultas por pessoas que adiaram esses procedimentos em 2020 por causa da pandemia. A espera para esses procedimentos com especialistas já era longa antes da pandemia.

A falta de prevenção leva ao segundo problema causado pela demanda reprimida. O aumento das doenças e problemas crônicos de saúde. Vai aparecer gente que estava com câncer e não sabia, porque não conseguiu fazer os exames, vão aparecer os hipertensos e diabéticos, por exemplo.

A terceira consequência é que o empobrecimento gerado pela crise econômica aumenta a pressão sobre o SUS, já que um grande número de pessoas que tinham planos de saúde e eram atendidas na rede privada agora terão de buscar o sistema público.

O quarto grande problema gerado pela pandemia são as possíveis sequelas deixadas nos pacientes que sobreviveram ao coronavírus. Ainda não se sabe a extensão disso, mas com certeza será um grande desafio.

As sequelas têm aumentado os casos de acidentes vascular cerebral (AVC) e diminuição da capacidade motora. Será necessário a realização de concursos para a contratação de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos em enfermagem. Mas o problema esbarra na diminuição de arrecadação.

Educação

O desemprego causado pela pandemia forçará as famílias a aumentarem a procura pelas escolas públicas e creches. Nenhum candidato está enfocando o problema. Centenas de alunos ficarão sem escolas. Solução existe, mas os “especialistas” em educação ainda não apontaram o caminho aos seus candidatos.

O período de matrículas está próximo, mas os candidatos não indicam preocupação com a gravidade da situação. No final do enredo, a corda vai arrebentar nas costas dos professores que serão obrigados a lecionar em salas completamente lotadas. Mesmo assim, a oferta de vagas não será suficiente.

Trânsito

Todos os candidatos mentem quando tratam de trânsito e transporte coletivo. Um deles promete a instalação de metrô subterrâneo. Impossível! O custo para o modelo demandaria um custo tão alto que comprometeria a arrecadação de impostos em Manaus por décadas. O solo é argiloso, o que exige uma engenharia de alta tecnologia.

Quanto ao financiamento de ônibus às empresas, um dos candidatos a prefeito foi o responsável por avalizar a compra em dólar de centenas de veículos, falindo as empresas, pois a moeda norte-americana disparou na bolsa. Aliás, a irresponsabilidade do candidato que tenta voltar à Prefeitura de Manaus pode interromper toda a modernização da cidade implementada pelo atual prefeito Arthur Neto.

É preciso ser responsável e escolher o candidato que tenha compromisso, sobretudo, com a honestidade.

 

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