Militares irritados com acusação de Gilmar Mendes

Uma crise entre as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal foi fomentada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes. O Exército “está se associando a genocídio”, disse o ministro no final de semana. A declaração gerou muito desconforto nos quartéis.

Embora irritados nos bastidores, ministros militares decidiram evitar embate público com o ministro Gilmar Mendes.

“O Ministério da Defesa já publicou uma nota a respeito, sem citar nomes. A nota é muito esclarecedora”, afirmou o titular do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. “A nota é o bastante”, emendou, após insistência da coluna.

A nota mencionada por Heleno e Mourão foi divulgada no sábado (11) pelo ministério. Nela, a pasta diz que as Forças Armadas vêm “atuando sempre para o bem-estar de todos os brasileiros” e elenca medidas tomadas pelos militares, como barreiras sanitárias e ações de descontaminação.

Nos bastidores, militares avaliaram a primeira nota como muito branda e uma segunda nota, citando nominalmente Gilmar Mendes, passou a ser exigida do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

O comunicado chegou a ficar pronto, mas o debate passou a ser sobre a viabilidade política de publicá-lo. A avaliação foi de que ele voltaria a acirrar os ânimos entre o STF e o Planalto em um momento em que o presidente Jair Bolsonaro busca distensionar a relação com os demais poderes.

Confira a íntegra do documento do Ministério da Defesa:

“O Ministério da Defesa (MD) informa que as Forças Armadas atuam diretamente no combate ao novo coronavírus, por meio da Operação Covid-19. Desde o início da pandemia, vem atuando sempre para o bem-estar de todos os brasileiros. São empregados, diariamente, 34 mil militares, efetivo maior do que o da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, com 25.800 homens.

 

O MD tem o compromisso com a saúde e com o bem estar de todos o brasileiros de norte ao sul do País. A mobilização desta Pasta começou no dia 5 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Regresso à Patria Amada Brasil. Na ocasião, foram resgatados 34 brasileiros de Wuhan, na China, antes mesmo de aparecer o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, em 26 de fevereiro.

 

A Operação Covid-19, criada em 19 de março de 2020, estabeleceu 10 comandos conjuntos espalhados por todo o Brasil, além do Comando Aeroespacial (COMAE). Os resultados mostram que a operação está atingindo os objetivos a que se propõe. De lá para cá, foram descontaminados 3.348 locais públicos; realizadas 2.139 campanhas de conscientização junto à população, 3.249 ações em barreiras sanitárias e 21.026 doações de sangue; distribuídos 728.842 cestas básicas; produzidos 20.315 litros de álcool em gel e capacitadas 9.945 pessoas para realizar ações de descontaminação.

 

É ainda importante destacar que já foram transportadas 17.554 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via terrestre, 471 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via transporte aéreo, voadas 1.334 horas, o equivalente a 14,5 voltas ao mundo.

 

As Forças Armadas realizam permanentemente atividades subsidiárias para cooperar com o desenvolvimento nacional e defesa civil. Este ano, em face à pandemia causada pelo novo coronavírus, os Ministérios da Defesa e da Saúde, em ação conjunta, intensificaram a assistência à saúde prestada a indígenas em diversas localidades carentes e isoladas do país. As mais de 200 missões em aldeias indígenas somente na Amazônia Ocidental realizam atendimentos de saúde, promovem cuidados básicos de saúde e orientam sobre a prevenção de doenças, sempre respeitando os aspectos socioculturais, condizentes com a realidade de cada etnia.”

 

 

 

 

 

 

 

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