Base de Wilson Lima começa a ‘abandonar o barco’

Assim como Wilson Witzel (PSC-RJ), do Rio de Janeiro, o governador do Amazonas, Wilson Lima, também do PSC, está sob fogo cruzado. Com alta rejeição e vendo o seu governo sob investigação por suspeita de fraudes em aquisições emergenciais em meio à pandemia da Covid-19 e enfrentando a CPI da Saúde, Lima ganhou mais uma dor de cabeça: uma empresa instalada no quarto de um hotel tem negócios milionários com o Governo do Estado.

Na próxima semana, segundo os parlamentares de oposição, serão apresentados documentos da suposta relação de Wilson Lima com a citada empresa e com a família Calderaro. A ligação do Governo e amigos empresários, segundo os deputados, estaria “Bonatinho”, filho do Secretário de Segurança, Lourismar Bonates. Ele é apontado como o “homem da mala” do governador. O deputado Wilker Barreto tem denunciado as ações do governo nas redes sociais.

CPI da Saúde

A CPI da Saúde no Amazonas tem potencial para alimentar um processo de impedimento contra Wilson Lima, pois a base aliada do governador perdeu a narrativa de defesa e começa a ficar “em cima do muro”. Os governistas baixaram a guarda diante de tantos escândalos.

O governo do Amazonas é acusado de comprar respiradores inadequados, pagando um valor 300% maior do que a média do mercado.

Wilson Lima já foi alvo de pelo menos três pedidos de impeachment desde o fim do ano passado envolvendo a gestão da saúde no estado.

Falsificação

Nesta sexta-feira (26), durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, o ex-secretário executivo da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), João Paulo Marques dos Santos confessou que pediu à ex-secretária executiva, Dayana Mejia,  para que ela assinasse um documento retroativo.

João Paulo é considerado peça importante na investigação que apura fraudes no processo de aquisição de 28 respiradores pulmonares, por quase R$ 3 milhões, pelo governo do Amazonas em uma loja de vinhos durante a pandemia do novo coronavírus.

A irregularidade

O deputado estadual Delegado Péricles, que preside a CPI, exibiu um vídeo em que o advogado João Paulo mostra o contrato de alocação do Hospital Nilton Lins, sem assinaturas, pedindo que Dayana Mejia assinasse. “Não tá assinado, por isso que estamos precisando de sua assinatura. Foram feitos alguns ajustes, algumas alterações de serviços que eles não tinham. Olha o despacho que está pendente. O Caio [Henrique Faustino da Silva, gerente de projetos] já assinou, falta você. O projeto base da Nilton Lins também tá pendente”, diz o áudio do vídeo.

Um impeachment é sempre difícil de acontecer, mas só se torna viável quando a crise política encontra a econômica. Uma realidade que já alcançou os dois Wilsons do PSC.

 

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