‘Le Monde’ usa frase do prefeito de Manaus para definir situação do Brasil: ‘À beira da barbárie’

Manaus (AM) – O periódico francês Le Monde usou uma frase do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, para definir o atual momento do Brasil quanto ao enfrentamento do novo coronavírus, causador da Covid-19. “Estamos à beira da barbárie”, cita a manchete da publicação assinada por Bruno Meyerfeld, em referência à fala do chefe do Executivo da “maior cidade da Amazônia”, dita em meio a lágrimas durante uma entrevista.

“O mundo, mais uma vez, volta os olhos para a Amazônia e reconhece o momento grave que estamos passando”, comentou o prefeito Arthur Virgílio, que tem sido procurado pela mídia nacional e internacional para esclarecer as necessidades para enfrentar a doença. “Por isso, insisto, para que as pessoas fiquem em casa e preservem suas vidas. Quem diz que se deve sair, não está em juízo normal”, alertou.

A publicação também menciona que o número de enterros em Manaus triplicou e destaca as distâncias geográficas em certos pontos da região amazônica. Além disso, o artigo evidencia, ainda, a situação crítica em cidades como São Paulo, capital paulista, Rio de Janeiro, capital carioca, e Fortaleza, capital do Ceará, cujos hospitais públicos estão com elevadas taxas de lotações.

O texto também cita que “apesar do drama em andamento, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, para quem a Covid-19 é apenas uma ‘gripe’, ainda defende o ‘retorno ao normal’”, referindo-se à abertura de comércios, por exemplo. O assunto também vem sendo alvo de críticas por parte do prefeito, que esta semana, em reunião por meio de videoconferência com a comissão de ações preventivas à pandemia da Câmara dos Deputados, disse: “Manaus não tem a menor condição de se abrir completamente para a atividade econômica”.

Enquanto isso, a Prefeitura de Manaus tem adotado diversas medidas para evitar a aglomeração de pessoas em espaços públicos da cidade. Entre elas, manter suspensos os atendimentos de serviços e locais públicos, prorrogar o regime de teletrabalho aos servidores até o fim de maio, com serviços essenciais como exceção, além de recomendar uso de máscara ao sair para atividades essenciais e limitar a presença de passageiros em ônibus ao número de assentos disponíveis.

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