Escola enfraquecida

Não precisa usar uma lente convergente para perceber que a escola brasileira não dispõe de estrutura física e profissional para trabalhar alunos com altas habilidades.

A escola “made in Brazil” do dia a dia acaba, mesmo sem perceber, criando problemas para o desenvolvimento do aluno com alto QI. Se a criança ou adolescente rejeita determinada matéria, tem contra si um diagnóstico fechado de incompetência. Se fala pouco e não interage, é incapaz de se sociabilizar.

Fico imaginando se os grandes físicos Isaac Newton e Albert Einstein estudassem numa escola onde a proposta pedagógica acaba punindo o aluno que faz opção, em determinados momentos, pelo silêncio e a observação. Newton e Einstein, certamente seriam diagnosticados com transtorno de comportamento. Eles tinham, em épocas diferentes, comportamentos que ainda hoje seriam chamados de estranhos.

Além de tudo isso, professores sem didática para transmitir conhecimento permeiam as salas de aula. Isso se agrava quando os professores não conversam entre si. Um aluno pode se destacar em Matemática e ter desempenho ruim em História. Isso não o faz incapaz. O problema pode estar no professor.

Tenho observado que, em muitas escolas, os próprios professores praticam bullyng contra os alunos que rejeitam a sua matéria. São incapazes de perceber que a aprendizagem está relacionada diretamente com MOTIVAÇÃO.

O mundo é dinâmico e a escola continua em repouso absoluto. Enquanto os alunos têm acesso a computadores e celulares modernos, a escola continua com “cuspe e giz”.

É preciso mudar a política nas escolas para não perdermos o “bonde” de vista.

Em 40 anos de magistério, observei que tem três tipos de professores: os que tentam transmitir tudo – o que sabem e o que não sabem -, os que transmitem apenas o que sabem – assuntos que na maioria das vezes não interessam para a vida e, finalmente, àqueles que só transmitem questões importantes que o aluno vai precisar para o resto da vida.

A escola fez a opção pelo caminho da complexidade. Se não consegue motivar os alunos comuns, como vai tratar àqueles que têm altas habilidades.

Numa sala de 8ª série, um professor de História mandando um aluno sentar disse em voz alta: STAND UP. Um aluno que conhece a expressão comentou: NÃO SERIA SIT DOWN?
Isso bastou para que o aluno fosse discriminado.

É assim a escola atual. Professores não admitem erros e não são interdisciplinares, como exige o mundo moderno.

¬Sou defensor que até a 5ª série do ensino fundamental a grade curricular tivesse apenas Matemática, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Física e Artes. As outras disciplinas seriam inseridas à partir da 6ª série. Assim o aluno teria noção de lógica, linguagem, apego a leitura, teria assistência no desenvolvimento de suas habilidades motoras especializadas e ideia concreta de artes.

As outras disciplinas seriam inseridas à partir da 6ª série. Entendo que, dessa forma, o rendimento seria melhor.


Rosalvo Reis

Rosalvo Reis

Editor do Portal Roteiro de Notícias

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