Homem-Aranha: Longe de Casa

O que a população pode ter e esperar depois de “Ultimato”?

Que sejam emulados os perigos e as salvações para uma população que precisa continuar “acreditando”.

É assim que pensa o mais novo vilão do nosso querido Amigo da Vizinhança.

Depois dos eventos de “Vingadores: Ultimato”, Peter Parker vive o luto de ter perdido seu mentor, Tony Stark, mas ainda quer ter uma vida normal de adolescente, conquistar MJ, e ter uma excursão tranquila com sua turma pela Europa. Mas um chamado de ninguém menos que Nick Fury pode atrapalhar seus planos.

Com o mesmo estilo juvenil, cômico e despretensioso do filme anterior, esta sequência tem uma trama que consegue ser sempre cativante, nunca ficando cansativa ou entediante. Desta vez, porém, temos uma ligeira crítica social que serve bem à carapuça politicamente crédula do tempo em que vivemos.

O perigo que Aranha enfrenta neste capítulo é intrigante, pois é algo, a princípio, simplório – um conflito digno de uma série animada de ação sessentista -, que depois vai revelar por trás algo estonteante e absurdo (no bom sentido do termo). Peter lida aqui com algo visualmente tão complexo quanto os multiversos do Dr. Estranho ou o Reino Quântico de Homem-Formiga.

E é nesse conflito que reside muito da novidade temática deste filme, que, além de um filme de ação, também é um road movie de férias estudantis, e consegue se sair muito bem em ambas as facetas.

Sim, o tom cômico típico da Marvel está presente, geralmente bem colocado, e, às vezes, simplesmente gratuito, com algumas gags que poderiam muito bem ser incorporadas a qualquer outro filme de comédia, com o mesmo efeito.

Num filme deste porte, acredito que a Marvel seria mais feliz utilizando gags que tivessem a ver com as próprias cenas de ação e os artifícios tecnológicos de Peter, dando mais sentido à comédia do que piadas soltas que nada tem a ver com o enredo ou os conflitos da trama (o professor deixando cair a câmera no lago) ou piadas de repetição (várias pessoas aleatórias interrompendo o diálogo de Nick Fury com Peter – recurso cômico divertido, porém já bem manjado).

Por outro lado, os diálogos e as expressões dos personagens são sempre hilários. Os personagens possuem tanto carisma que até um diálogo engraçado que seria menos engraçado na boca de outra pessoa qualquer, se torna muito mais engraçado quando dito por eles.

O relacionamento entre Peter e MJ se desenvolve de maneira muito boa, e os rumos tomados são bem diferentes das outras versões cinematográficas do herói.

O filme é incrivelmente divertido e tematicamente ambicioso, ainda mais para uma obra mais friendly-family. Uma ou outra cena de diálogos de alívio cômico poderiam ser bem mais inspiradas aqui e ali, mas, no geral, o filme diverte em cheio.

O vilão, apesar de ter motivações bastante unidimensionais (a cota de vilões caricatos da Mar

vel ainda não encheu), é muito bem interpretado e ameaçador, tendo uma presença forte e marcante. Vale ressaltar que é bem notável as motivações do vilão serem explicadas através de um longo e expositivo monólogo do mesmo, que, aqui, tem a hilária decência, pelo menos, de ser dita como se emulando um discurso em um evento celebrativo interno da equipe do vilão. Artifício senão sofisticado, pelo menos, esperto para justificar um diálogo tão explicativo que só faltou o vilão desenhar na tela o plano dele para o espectador. Uma quebra da quarta parede para explicar seu plano teria sido quase tão didático quanto (risos).

Mesmo assim, a reviravolta é bastante surpreendente, e aí, nesse sentido, quem não tem conhecimentos prévios dos quadrinhos sobre o personagem – como este que vos fala – sai levando a melhor experiência.

Mais uma vez, a Marvel acerta em cheio, proporcionando diversão e surpresa na medida certa, e cumpre dignamente os objetivos dessa proposta mais despretensiosa do personagem. A primeira cena pós-créditos deixa todos de cabelo em pé, e, sem dúvida, constitui um dos melhores momentos do filme inteiro. A segunda, te deixa coçando a cabeça, e é ótima para introduzir toda uma gama de teorias sobre a fase 4 da Marvel. Vejamos o que ela ainda nos aguarda…

Excelsior!


Fábio Reis

Fábio Reis

Graduado em Design Industrial pela Ufam

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