Política e jornalismo: na mesma mão?

“O homem é um ser político por natureza”, dizia o bom e velho Aristóteles, que viveu na Grécia Antiga e já desenvolvia naquela época tal teoria política. Viver é estar em sintonia com a vida cidadã, com os interesses da coletividade e esse posicionamento espelha muito bem os princípios da política ou deveria…

De fato, sempre partimos de algum ponto para analisar, raciocinar e conjecturar para só então escolhermos o que julgamos ser importante noticiar. E essa reflexão traz consigo um pouco ou muito do nosso universo pessoal, que engloba costumes, tradições, formação religiosa, convívio familiar, ou seja, interferências e experiências que vamos acumulando na trajetória influenciam diretamente nas nossas decisões. E é lógico que essa interferência acontece também no momento em que se escolhe abordar um determinado assunto em detrimento de outro, que se escolhe um ângulo de uma foto ou outro, que se ouve essa ou aquela fonte.

Sem ingenuidade

Não há isenção tão pouco, imparcialidade! Até porque no mundo capitalista os meios também precisam de verbas publicitárias para tocar seus negócios, e – cá pra nós – aí fica bem difícil falar mal do xarope produzido pelo laboratório que patrocina a emissora! Entre tantas outras reflexões, é preciso lembrar que do posicionamento político surgiu o próprio Jornalismo Político, extremamente importante na manutenção da democracia, por garantir que jornalistas especializados apoiem e/ou critiquem determinado grupo de poder! Imagina se todo mundo fosse bolsonarista ou lulista?! Independentemente de ideologias partidárias, a liberdade de imprensa é o pilar constitucional do país e nos liberta da prisão imaginária.

Dilemas

Entre jornalismo e política existem muitos dilemas éticos e ambos nos colocam – às vezes – na corda bamba, caso não se tenha base ética sólida! E não é meu papel aqui apontar ou julgar a verdade verdadeira ou absoluta! Mas, é preciso que o profissional, formador de opinião, tenha – no mínimo – ciência do seu lugar e da sua responsabilidade na sociedade.

Um dos dilemas da profissão, por exemplo, diz respeito ao cargo de assessor de imprensa. Colegas de profissão batem no peito e afirmam que o assessor de imprensa não é jornalista, porque ele representa uma empresa ou instituição. Ora, esse profissional não se utiliza das técnicas, teorias e demais aparatos que o legitimam ao exercício da profissão como os demais colegas? Quais interesses esses mesmos colegas estão defendendo nos meios de Comunicação?

Agora, o importante é saber quem ele está representando: é uma empresa idônea que paga os salários em dia? Mantém ações de Responsabilidade Social com seus públicos? Agora prefere trabalhar pro governo? Pra prefeitura? Cada um tem o direito de escolher e defender o que lhe é lícito, que lhe faz bem ou que lhe paga as contas, porque geralmente é esse último que determina tudo! Depende do que lhe seja prioritário! São sempre escolhas, com ônus e bônus!

Entretanto, todos nós acompanhamos o comportamento e a condução da grande maioria dos nossos políticos e governantes! Casos de corrupção pipocam diariamente, empresas de fachada, testas de ferro, patrimônios estratosféricos conquistados da noite pro dia, depoimentos reveladores, delações premiadas, operação daqui e dali… são elementos suficientes para distanciar política e jornalismo! Elas podem até caminhar lado a lado, mas essa linha divisória tem que ser pautada com respeito, ética e responsabilidade!


Cristina Monte

Cristina Monte

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM

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