A arte de educar os filhos!

Uma frase para a campanha da Secretaria Municipal de Saúde de Quaraí, no Rio Grande do Sul, gerou muita polêmica. O slogan “Só tenha os filhos que puder criar” era pra levar a população a repensar o planejamento familiar, porém acabou gerando indignação e críticas, tipo que “pobre não poderia ter filhos”, “que todos deveriam ter acesso à saúde e à educação”, e assim por diante!

Realmente, que bom seria se o país proporcionasse acesso a cada cidadão, mas isso não é a realidade, então também não dá pra ficar sonhando com o ideal, sentado de braços cruzados, sem fazer nada! Uma das questões centrais da nossa existência é que estamos sempre delegando responsabilidades aos outros, menos, assumindo as nossas! A culpa é do governo, da escola, da empresa, enquanto não assumimos nem a educação dos nossos filhos, que é o alicerce para o desenvolvimento do senso crítico, valores como a ética, por exemplo, e sentimento de cidadania.

Tempo pra educar

Quanto tempo nós estamos investindo na educação das nossas crianças e jovens? Que tipo de ser humano nós estamos preparando para o mundo?

O que se vê – de modo geral – são pais muito ocupados com seus afazeres e compromissos, e que delegam à escola a missão de tornar os rebentos “educados”. Ora gente, se você não tem tempo para educar, qual sentido de “criar filhos”? Crianças mimadas, barulhentas, choronas e controladoras se tornarão adultos improdutivos, inúteis e desequilibrados emocionalmente, e o que farão num mundo que exige cada vez mais das pessoas? Nada!

Os filhos crescem e escolhem seus caminhos da mesma forma que fizemos um dia e, infelizmente, nem sempre fazem boas escolhas! Muitos seguem pelo caminho das drogas, outros do crime, outros são só inúteis, o que parece mais inofensivo, mas – de qualquer forma – pouco fazem de útil.

Investimento contínuo

Entretanto, se você investiu esforços e recursos nessa educação – mesmo que o caminho escolhido não seja o melhor – se sentirá em paz na certeza de que fez o que pôde e então chega um momento em que – de protagonistas – passamos a ser meros figurantes e esse caminho é natural quando o indivíduo assume sua própria vida e passa a seguir seus próprios passos. Afinal, como disse o fabuloso Khalil Gibran “vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma”.

Mas, há muita coisa pra se fazer antes disso! Educar é exercitar a arte do diálogo, da paciência. Educação não é entupir o menino de cursos, como natação, judô, inglês, espanhol e sei lá mais o quê. Educar tem muito mais a ver em cooperar na lapidação de um bom caráter, de uma boa personalidade. É um investimento contínuo e de longo prazo, que exige muita atenção, amor, dedicação e disciplina. Então só tenha os filhos que puder educar! O planeta agradece!


Cristina Monte

Cristina Monte

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM

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