Puxa-saco é como grama…

Não há quem não conheça pelo menos um na vida! A personalidade do puxa-saco ou do bajulador, como também é conhecido, é escorregadia, vacilante e egoísta, porque vale tudo pra se dar bem ou conseguir algo que o interessa. Seja no ambiente corporativo, seja em qualquer outro é fácil reconhecer o bajulador: aquela forçadinha de barra querendo ser o simpático de plantão ou aquele risinho falso nos cantos dos lábios denuncia o engodo. Mas, não se pode negar que geralmente são envolventes, carismáticos e cheios de conversa fiada!

Alarme ligado

Já encontrei muitos pela vida afora e sempre fujo de gente assim. Quando percebo que há um interesse na aproximação, já ligo o alarme e passo a observar a criatura com um pouco mais de atenção. Assim, posso analisar se estou sendo injusta ou se é o momento de puxar o carro.

Esse negócio de ser amigo de todo mundo é outra coisa que os puxa-sacos têm em comum e que eu, redobro o cuidado! Claro que a gente tem que ser educado, respeitador, simpático com todos, mas, ninguém, ninguém é “amigo” de todo mundo.

A gente tem personalidade e energia que nos aproxima mais de algumas pessoas do que de outras. Isso é extremamente normal e natural! Agora ser amiguinho de todo mundo?! Fala sério!

Tirando uma casquinha

O puxa-saco é aquele indivíduo que está sempre tentando obter alguma vantagem, então simula que te acha o máximo, a pessoa mais top do mundo e assim por diante, até conseguir algo ou manter o conquistado. É um sugador disfarçado de boa alma!

O bajulador finge que te dá algo, mas está mesmo de olho no que você pode ou tem a oferecer a ele. Mas, aí tem uma questão: a grama só se desenvolve em ambiente propício: se houver terra, água e sol. Isso quer dizer que se o bajulado aceita o jogo, então é aí que o puxa se alimenta, desenvolve e se enraíza.

Ligado e operante

No ambiente corporativo, essa figura lendária desequilibra o clima organizacional e gera muita fofoca. Sobretudo, porque sempre tem um disponível tentando subir na carreira a qualquer custo ou se segurando no emprego. O bajulador identifica rapidamente quem tem poder e influência na empresa e pronto. É lá que vai amarrar os burros e partir pra puxação de saco.

Como quem tem poder na empresa são chefes, gerentes e diretores, pronto, pode apostar que serão os alvos preferidos. Já, o restante do pessoal, o bajulador – nitidamente – trata em outra proporção, mesmo quando tenta manter o personagem.

E mesmo que o país tenha passado por uma crise terrível e demitido milhões de pessoas, ainda há muito bajulador no mercado. O problema é ter que conviver com esse perfil no trabalho mesmo percebendo as suas jogadas e não poder fazer nada, porque nem sempre os demais percebem ou tomam alguma atitude em relação a esse comportamento, pois se o chefe é conivente com a situação, o que fazer?

Bom, nem sempre a alta direção está preparada para ter uma conversa franca e honesta, que seja em benefício da empresa e perceber que – lá no fundo, no fundinho – o puxa-saco está mais preocupado consigo do que com a corporação. O que é lamentável, pois se espera que no ambiente de trabalho o principal propósito seja ajudar a empresa a avançar!

Mantenha distância

Como nem sempre o chefe enxerga ou quer enxergar a realidade e deixa o puxa-saco adoçando o seu ego, fortalecendo ainda mais o bajulador, o jeito é manter distância desse tipo de relacionamento, para não comprometer a saúde mental ou fazer parte da farsa. Manter a ética ainda é o mais acertado!

O que mais me espanta é que geralmente o bajulador usa essa carapaça para esconder fragilidades e incompetências, investindo suas energias em falsidade ao invés de investir em pontos de melhoria da personalidade.

Só posso finalizar com uma frase que me vem agora, do nada menos que Barack Obama: “Livre-se dos bajuladores. Mantenha perto de você pessoas que te avisem quando você erra”. Mesmo que muita gente tenha dificuldade em lidar com a verdade, isso ainda continua sendo a melhor coisa a se fazer.

www.cristinamonte.com.br

*Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM.

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