O Efeito Borboleta e a existência

Um indivíduo “A” qualquer, tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós e assim por diante. Portanto, um salto de dois séculos, no tempo negativo, fará com que encontremos uma linha de 256 ascendentes. O cálculo é simples: 128 homens e 128 mulheres. E todos contribuíram, com sua parcela de boa vontade, para a existência de uma pessoa na Terra.

Em 500 anos de recuo, o número de ascendentes (da mesma linha), que terão colaborado para a existência de uma pessoa, equivale a uma pequena população de 1 061 376 (um milhão, sessenta e um mil, trezentos e setenta e seis avós!).

O problema se agrava de um modo espantoso, se fizermos a Máquina do Tempo recuar 800 anos. Chegamos ao início do Renascimento. Contamos, nessa época, com 32 gerações (no conjunto dos ascendentes) e o número de antepassados (na mesma linha), responsáveis pela nossa existência, é de 4 348 420 096 pessoas. São os tataravós! Muitos tomaram parte nas Cruzadas e morreram combatendo contra os muçulmanos, na Palestina.

Vamos dar um salto maior e mergulhar bem fundo, no passado. Procuremos atingir, nessa marcha-a-ré ao longo do tempo, os primeiros séculos do Cristianismo. Recuemos 1.600 anos, saltando, rapidamente, sobre as gerações que nos precederam. E sabem, caros leitores, qual era, nesse tempo (no IV século), o número de nossos avós, na mesma linha, para você existir hoje na Terra? É um número astronômico, de 20 algarismos. Ei-lo, sem erro de uma unidade:

18 676 506 394 745 634 816

Dirá você que essa gente toda não caberia na Terra. Sim, você está certa. Essa população de avós seria suficiente para cobrir e transbordar a Terra e mais sete mil e quatrocentos outros planetas iguais ao nosso (supondo a superfície da Terra esférica e lisa). Os nossos avós dessa linha, colocados um ao lado do outro, bem juntinhos, fariam uma fila que iria da Terra ao Sol cento e vinte e oito milhões de vezes!

Como explicar essa multiplicidade astronômica de ascendentes?

Para as pessoas que não gostam de Física e Matemática, há qualquer coisa de muito estranho e paradoxal em nossa árvore genealógica. Portanto, vamos imaginar uma viagem ao passado numa Máquina do Tempo..

Paradoxo do Avô

O paradoxo do avô é um emaranhado dramático e romântico, já que o pressuposto de que uma pessoa possa voltar no tempo e se reunir com seu avô quando era um adolescente despreocupado e, devido a possíveis causas acidentais, o neto matasse seu ascendente.
Devido à morte do avô, o neto não poderia existir, mas a questão continua a ser preocupante, porque se o avô morreu naquele momento, como é possível que um descendente do futuro pudesse voltar no tempo vê-lo morrer? Em termos científicos, seria a expansão dos erros que podem aparecer no comportamento de um sistema complexo, já a linguagem popular diz que o simples bater da asa de uma borboleta agitando o ar que a suporta, poderia produzir alterações no futuro de todo o planeta.

A teoria da relatividade e a mecânica quântica não excluem a possibilidade de viajar no tempo. O famoso cientista Stephen Hawking, diz que se for possível viajar ao passado, mas qualquer ação para mudá-lo não teria nenhum efeito sobre o presente. Esta teoria é conhecida como a conjectura de proteção cronológica. O paradoxo da viagem no tempo foi articulado por René Barjavel e tem sido usado para argumentar que as viagens ao passado não são possíveis, mas outros cientistas acreditam que é possível intervir no passado para alterar eventos futuros. Contra essa visão, a “Máquina do Tempo” de HG Wells argumenta que os fatos são inevitáveis e, portanto, o cronograma é rígido.

O paradoxo do avô convida-nos a viajar através do tempo, mas vemos a necessidade de regulamentar com cuidado qualquer visita ao passado. No entanto, o que nos diz o efeito borboleta, é que a viagem é inviável. Qualquer movimento involuntário poderia fazer um turista vindo do futuro, mudar o desenvolvimento histórico do mundo, estes problemas também são refletidos no princípio físico da incerteza, postulada por Heisenberg, que afirma que simplesmente ao observar uma partícula, seu estado é alterado. Aqueles que defendem a possibilidade de viajar para o passado baseiam em duas ideias: uma delas faz referência para os universos paralelos, para eles, o que vai acontecer é que o turista do tempo virá a um lugar que nunca esteve antes, na reflexão, isso realmente não seria uma viagem ao passado.

A outra ideia proposta é que o universo não tem um cronograma absoluto e, portanto, os eventos podem ser alterados, nesta opção, cada partícula teria uma linha de tempo própria, capaz de ser alterada.

Agora, posso propor uma pergunta: Será que estou realmente aqui ou sou apenas uma parte da consciência de nosso EU que habita num universo paralelo? Você pode neste momento estar assistindo um programa na TV na terceira dimensão e fazendo múltiplas atividades em outros universos. Tudo, simultaneamente.

A Matemática nos permite postular que a complexidade de nossa ideia de vida possibilita essa ideia. Quando questionarem, simplesmente respondam com outra pergunta: no séc IV d.C tinha 18 676 506 394 745 634 816 de pessoas no pequeno planeta Terra para você existir sozinho hoje? Claro que não. Então, você pode ser apenas uma projeção do seu próprio pensamento. E acreditem, Deus planejou tudo isso.

*Rosalvo Reis é professor de Física e Editor do Portal Roteiro de Notícias

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