Comunidade indígena ganha polo de telessaúde abastecido com energia solar 

Infraestrutura garante segurança para a prestação de serviços de saúde, além de possibilitar atendimentos à distância, a fim de evitar o deslocamento de pacientes e profissionais.

Com objetivo de fortalecer o serviço de telemedicina, diminuindo os impactos da Covid-19 e melhorando o atendimento de saúde em comunidades remotas da Amazônia, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com Empowered by Light, realizou a instalação de placas solares na Terra Indígena Kumaru do Lago Ualá, localizada no município de Juruá, a 674 quilômetros de Manaus.

A iniciativa beneficia mais de 105 famílias do povo Madija Kulina, que vivem na aldeia Boca do Pau-Pixuna. No local, há um Polo Base do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Médio Rio Solimões e Afluentes (MRSA), que funcionava apenas com gerador de energia movido à combustível, uma fonte não renovável, poluente e cara.

“Agora eles terão energia limpa, de qualidade e que não vai afetar o meio ambiente, além de acesso à internet para se comunicar com a sede do município ou Manaus. Com isso, poderão ter atendimento médico à distância, que é super importante para ajudar no diagnóstico e prevenção de doenças”, destaca o gerente do programa Floresta em Pé da FAS, Edvaldo Corrêa.

Com o novo sistema, o trabalho dos profissionais de saúde será facilitado e os moradores não precisarão se deslocar até a cidade para garantir assistência médica. Segundo a enfermeira assistencial, Claudia Mariscal, a falta de energia tornava o translado necessário até mesmo para tratamentos que poderiam ser realizados no local, aumentado consideravelmente os custos com a logística.

“Quando temos uma criança, por exemplo, com pneumonia. É uma doença que a gente pode tratar aqui mesmo no polo. Mas, devido à falta de energia, não tem como fazer a nebulização, que é a inalação. Então, temos que remover a criança para o município mais próximo”, explica, destacando também que os atendimentos noturnos eram realizados apenas com o auxílio de uma lanterna, tornando o trabalho ainda mais desafiador.

Para o morador da aldeia, Ulisses Ramos, abandonar a fumaça, o barulho e os gastos acarretados pelo gerador à diesel representa um sonho realizado. “Ninguém sente nada, é só a placa mesmo com a luz do sol. Se chama ‘luz de deus’. Estamos achando muito bom isso”, afirma. Uma nova realidade que ele deseja, inclusive, que se estenda para toda a comunidade no futuro: “A gente precisa dessa energia, não é só para se ‘alumiar’, é pra saúde”.

Saúde online  

Além de gerar economia financeira e reduzir os impactos ambientais, a instalação do sistema ampliará a prestação do serviço de telemedicina, que permite aos indígenas atendimento médico gratuito com o auxílio da internet.

Com a pandemia do novo coronavírus, a conexão com a rede tem sido uma importante aliada dos profissionais que atuam em regiões remotas, pois possibilita o recebimento de orientações e treinamentos para o acompanhamento adequado dos casos suspeitos da Covid-19, bem como um trabalho integrado para prevenir a transmissão na comunidade.

O atendimento médico online é realizado através de uma parceria entre a FAS e o sistema de Telessaúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que disponibiliza orientação técnica e capacitação para os agentes de saúde, assim como acolhimento psicológico para os profissionais e moradores, principalmente para evitar deslocamentos, garantir segurança e bem-estar para as comunidades.

 A estratégia faz parte da atuação da “Aliança dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais e Organizações Parceiras do Amazonas para o Enfrentamento do Coronavírus”, iniciativa coordenada pela FAS, em conjunto com mais de 112 parceiros, para reduzir as consequências sanitárias, sociais e econômicas provocadas pelo vírus. Além dos teleatendimentos, o projeto tem trabalhado desde o início para estruturar diversos polos de telessaúde em comunidades e aldeias, com instalação de pontos de internet e energia solar.

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