Pesquisa do Ipea indica onde estão os ‘marajás’ do funcionalismo público

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta sexta-feira (6), um estudo mostrando que funcionários do Judiciário ganham uma média mensal de R$ 12.081, enquanto os do Legislativo ganham R$ 6.025 e os do Executivo, R$ 3.895.

Foram analisados dados do funcionalismo público de 1986 a 2017. O resultado revela que o Judiciário tem despesa com pessoal muito acima de outros poderes gerando uma distorção de difícil solução.

“As remunerações médias aumentaram no conjunto do setor público, mas com trajetórias distintas ao longo do tempo – a primeira, de meados dos anos 1980 até a implantação do Plano Real, em 1994. A segunda, desse período até 2003, ano em que se inicia um movimento de aumento continuado das remunerações médias, até 2014”, afirma o Ipea

A remuneração média mensal de todo o setor público apresentou um crescimento real de 23,5% nos 32 anos analisados, com ganho médio anual de 0,73%. Já a remuneração média dos funcionários do setor privado manteve-se praticamente estável, passando de R$ 2.473 para R$ 2.382, no mesmo período.

Em 2017, foram gastos R$ 750,9 bilhões com os servidores ativos, o que corresponde a 10,5% do Produto Interno Bruto brasileiro.

O Ipea destaca que o número absoluto de servidores públicos aumentou, mas o percentual de ocupados no mercado de trabalho se manteve estável do início da análise até 2014.

Em 32 anos, o funcionalismo público ampliou-se em 123%: o número total de vínculos subiu de 5,1 milhões para 11,4 milhões. A expansão foi similar à do mercado de trabalho formal no setor privado (crescimento de 95% no total de vínculos).

O número total de funcionários no Poder Executivo foi o que mais cresceu no período. Passou de 5 milhões de vínculos em 1986 para 11,1 milhões em 2017 -uma alta relativa de 115%.

No Poder Legislativo, o crescimento foi de 436%, de 51 mil para 275 mil postos de trabalho. No Poder Judiciário, houve a maior expansão relativa: 512%. O número de servidores foi de 59 mil para 363 mil.

O Ipea ressalta que o Judiciário não possui a esfera municipal, que “tem o maior número de pessoas e as remunerações menores”. Isso influencia na disparidade observada entre os Poderes.

As variações de 1986 para 2017:

Nível Federal – aumentou de R$ 5 mil para R$ 9,2 mil, crescimento acumulado de 84%;

Nível Estadual – passou de R$ 3,6 mil para R$ 5 mil, aumento real acumulado de 39%;

Nível municipal – saltou de R$ 2 mil para R$ 2,9 mil, aumento acumulado de 41%.

Gênero

A análise mostra que a participação das mulheres foi superior no setor público e se expandiu com o tempo. Em 1986, o percentual de vínculos no setor público era o mesmo entre os sexos, mas a participação feminina foi gradualmente se expandindo e alcançou 59,3%, em 2017. Este crescimento está relacionado principalmente à expansão do emprego público municipal, em que a participação das mulheres é majoritária.

No entanto, em praticamente todos os anos da série, os homens têm remuneração média superior à das mulheres. Em 1986, a média salarial das mulheres no setor público brasileiro era 17,1% inferior à dos homens. Em 2017, a diferença entre os salários médios aumentou, e as mulheres recebiam 24,2% a menos que os homens. “Essa desigualdade decorre, provável e essencialmente, do fato de as ocupações e carreiras com menor remuneração ter maioria feminina”, analisa o órgão.

O levantamento mostrou também que houve aumento na escolaridade dos servidores públicos, em todos os níveis da administração. Ao todo, 47% dos servidores públicos do país possuíam nível superior completo em 2017 (bem acima dos 19% com esse nível de escolaridade em 1986).

*Com informações do Poder 360/RN

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