O desequilíbrio que permitiu a vida

Neste espaço, tento escrever sobre assuntos que poucos se interessam, mas que podem aguçar a imaginação. Quem nunca questionou o propósito da vida, ou como ela surgiu?

Questionado recentemente por uma amiga curiosa sobre o comportamento do átomo, lembrei dos professores que me ajudaram a usar a imaginação.

Comecei a explicar que a vida só existe em virtude de uma pequena partícula que quebrou a equilência entre matéria e antimatéria.

Entretanto, se a equivalência tivesse permanecido, em algum momento ocorreria a aniquilação do universo. No lugar dele haveria apenas energia. Mas, não foi o que aconteceu.

O universo por si só criou um desequilíbrio entre matéria e antimatéria ao transformar uma pequena quantidade de antimatéria em matéria.

Quando olhamos para o passado do universo até aproximadamente um milhão de anos após seu
surgimento, verificamos ondulações do espaço-tempo. As chamadas ondas gravitacionais carregam evidências que o universo existe à partir do Big Bang.  Essas informações sustentam a teoria de que houve uma fase de transição, durante a qual partículas de neutrino remodelaram matéria e antimatéria, que têm cargas elétricas opostas. Por causa disso uma não pode se transformar na outra, a menos que tenham carga elétrica neutra.
Nesse ponto entra o neutrino, a única partícula neutra conhecida.

Para que os neutrinos pudessem fazer esse trabalho, há cientistas que sustentam a teoria de que o universo passou por uma fase de transição. Para compreender esse período é preciso lembrar que o comportamento da matéria muda em temperaturas críticas. É o que ocorre, por exemplo, com um determinado metal quando é resfriado a tal ponto que perde por completo sua resistência elétrica. Assim, ele se torna um supercondutor.

Da mesma forma, é possível que durante a fase de transição do universo, tenha sido criado um campo magnético de tubos bem finos, o que é chamado de cordas cósmicas.Estas causam pequenas oscilações no espaço-tempo, chamadas ondas gravitacionais, quando tentam se simplificar.

Essas ondas podem permitir que olhemos mais para trás no tempo. Isso porque o universo é “transparente” para a gravidade. Assim, poderíamos olhar para um período no qual ele era um trilhão ou um quatrilhão de vezes mais quente do que a região mais quente nos dias de hoje.

Nesse período tão quente do universo, os neutrinos podem ter se comportado da maneira necessária para a sobrevivência.

Os neutrinos devem ter deixado uma trilha detectável de ondulações gravitacionais, para que possamos saber se foi isso que de fato ocorreu.

As ondas gravitacionais de cordas cósmicas têm um espectro bem diferente de outras fontes como a fusão de buracos negros.

Caminhamos, agora, para comprovarmos a atuação de mais elementos que permitiram a nossa existência.


Rosalvo Reis

Rosalvo Reis

Editor do Portal Roteiro de Notícias

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