Tensão na Europa: Reino Unido expulsa diplomatas russos

A primeira-ministra britânica Theresa May, anunciou nesta quarta-feira, 14/3, que o Reino Unido vai expulsar 23 diplomatas russos como retaliação pelo envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra – incidente ao qual a Rússia nega estar ligada.

Numa declaração pública sobre o caso, que nos últimos dias gerou grande tensão nas relações diplomáticas entre os dois países, Theresa May anunciou ainda nova legislação anti-espionagem e de proteção contra atividades hostis, mais controle na entrada de cidadãos russos no país e ainda o cancelamento de encontros de alto nível, segundo publicação do jornal The Guardian.

Theresa May disse que poderão existir outras medidas, entre elas, um boicote à Copa do Mundo na Rússia. “Confirmo que nenhum ministro ou membro da família real vai estar presente no campeonato do mundo de futebol”, afirmou a primeira-ministra.

Prazo

Os diplomatas terão uma semana para abandonar o Reino Unido, especificou May, que defendeu que a Rússia expressou “desdém” pelo desejo do Reino Unido de obter explicações sobre este caso. Segundo May, as ações da Rússia “representam um uso ilegal da força”.

Theresa May garantiu, diante da Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico), que o Reino Unido queria uma relação melhor com a Rússia e disse ser “trágico” que Vladimir Putin, presidente russo, tenha agido desta forma. Garantiu ainda que o Reino Unido não está sozinho nesta questão e que conta com o apoio dos aliados.

‘Sem provas’

“Moscou não admite as acusações sem provas e não verificadas e a linguagem dos ultimatos”, disse em conferência de imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que a Rússia “espera que o bom senso prevaleça”.

O ex-espião Serguei Skripal, de 66 anos, e a filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes do dia 4 de março, num banco de um centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra.

Na quarta-feira seguinte, o chefe da polícia antiterrorista britânica, Mark Rowley, revelou que o ex-agente duplo russo e a filha tinham sido vítimas de um ataque deliberado com um agente neurotóxico, um componente químico que ataca o sistema nervoso e que pode ser fatal.

Na segunda-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou ser “muito provável que a Rússia seja responsável” pelo envenenamento do ex-espião russo e da filha, justificando que a substância utilizada é “de qualidade militar” desenvolvida pela Rússia.

Na mesma intervenção, a primeira-ministra do Reino Unido deu a Moscou um prazo, até terça-feira à noite, para fornecer explicações à Organização para a Proibição de Armas Químicas.

Moscou, então, negou responsabilidades e pediu ao Governo britânico a abertura de um “inquérito conjunto” sobre o caso.

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