Recibos forjados abrem a porta da cadeia para Lula

A apresentação de recibos de “prestação de serviços” por empresas fantasmas controladas por Alberto Youssef, motivou a prisão e vários diretores de empresas enroladas na Lava Jato por obstrução à Justiça e fraude processual.

Lula e seus advogados podem ter o mesmo destino: os 26 recibos que forjaram para “comprovar” o “aluguel” da suíte contígua à dele em São Bernardo do Campo e, assim, livrá-lo de um das acusações a que responde na 13ª Vara da Justiça Federal de Brasília poderão se converter em 26 crimes de falsificação de documentos (pena de dois a seis anos cada), além de obstrução à Justiça e fraude processual.

Nem é preciso uma perícia para constatar que os recibos são uma falsificação grotesca: a mesma formatação, erros de digitação repetidos em série, datas inexistentes, a assinatura indicando um dia em que o signatário estava fora do país, etc.

Os “recibos” foram apresentados segunda-feira (25), quando está para se esgotar o prazo das alegações finais do processo a que Lula responde junto ao juiz Sergio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a compra de um terreno destinado ao seu instituto e do apartamento. Ambos os imóveis, acusa o Ministério Público, foram doados a Lula pela Odebrecht como retribuição por seus favores.

O apartamento foi comprado em nome de Glaucos da Costamarques, segundo o MP, numa triangulação que teve num vértice uma empresa controlada pela Odebrecht – a DAG Engenharia -, no outro o advogado e compadre de Lula Roberto Teixeira e no terceiro o amigo de Lula José Carlos Bumlai, condenado pela Lava Jato, e seu primo, Costamarques, a quem Bumlai delegou a missão de ser o “laranja” do negócio.

A finada Marisa Letícia, que canonizada em seu enterro por Lula foi transformada por ele na pecadora responsável por todos os imóveis derivados dos negócios escusos de que é acusado de fazer, assina o “contrato de aluguel” do apartamento, formulado no escritório de Teixeira, pelo qual somente começou a pagar em novembro de 2015, quatro anos depois da assinatura – coincidentemente um dia depois da prisão de Bumlai.

E nesse dia ele estava internado no Sírio-Libanês de São Paulo quando foi procurado por Teixeira, que lhe informou que os aluguéis seriam pagos e exigiu que assinasse os recibos retroativos. Assim foi feito: os recibos são os apresentados pela defesa de Lula – comandada por Teixeira e seu genro, o “mauricinho’ Cristiano Zanin. A apresentação obedece à ordem de Lula diante de Moro em seu depoimento, para que seus advogados providenciassem os recibos, até então não anexados no processo.

Ora, se a defesa de Lula estava em posse de parte dos recibos – são 59 meses em questão; 33 estão faltando, portanto -, por que não as apresentou antes?

Não encontro outro motivo que não esse: porque temia ser acusada com o cliente de falsificação de documentos, obstrução à Justiça e fraude processual!

Nesse caso, no entanto, o passo em falso foi calculado: quando a fraude for comprovada, alegarão que estavam certos desde o início ao alegar que Moro é “parcial”, que comanda a “caçada judicial” da qual seu cliente se diz vítima, pois recusou a “prova incontestável” de sua inocência.

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