O Dia Seguinte: ONU discute conflito na Síria

SÍRIA – Os ataques dos Estados Unidos, Reino Unido e França, destruíram alvos relacionados com a produção ou armazenamento de armas químicas e biológicas: um centro de investigação científica utilizada para a “investigação, desenvolvimento e testes”, perto de Damasco; um depósito onde eram armazenadas as principais reservas de gás sarin, em Homs; e um outro armazém e “importante centro de comandos” na mesma cidade.

O ministério da Defesa russo indicou que foram disparados mais de 100 mísseis nas últimas horas sobre a Síria, tendo sido intercetados “um número considerável destes”.

De acordo com a BBC, este foi o ataque ocidental mais significativo contra a administração de Bashar al-Assad, em sete anos de guerra civil na Síria. Com esta operação, os militares norte-americanos contam ter “atrasado em vários anos” o programas de armas químicas da Síria, através da perda de dados, material de produção e químicos para produzir as armas. O ministro francês das Relações Externas, Jean-Yves Le Drian, disse que os mísseis lançados tinham destruído “grande parte” do arsenal de armas químicas do governo, citou a agência de notícias AFP.

As ações não foram coordenadas com a Rússia e não teriam provocado vítimas mortais, segundo os responsáveis militares. A televisão síria adiantou, no entanto, que três civis ficaram feridos.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, todos os locais atingidos estavam ligados ao Instituto de Estudos Científicos e Centro de Investigação, a entidade que os EUA e aliados acreditam ser o foco de produção de armas químicas.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, garantiu estar mais determinado do que nunca em “esmagar o terrorismo” por todo o território. Já o presidente da Rússia, aliado do governo sírio, apelou à realização de uma sessão de emergência na ONU, horas depois dos ataques e um dia depois de o secretário-geral das Nações Unidas, António Gueterres, ter alertado para o retorno da Guerra Fria.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião. Trata-se da quinta sessão desta semana subordinada ao debate da situação na Síria.

Donald Trump, que, durante a madrugada, anunciou a operação conjunta com Reino Unido e França, vangloriou-se no Twitter pelo sucesso da execução da mesma e parabenizou todos os militares envolvidos.

Horas depois da ação ocidental, centenas de civis e militares sírios reuniram-se na histórica praça Omayyad, em Damasco. Com semblantes alegres e erguendo bandeiras sírias, russas e iranianas, muitos seguraram cartazes com a cara do presidente sírio, Bashar al-Assad, no poder desde 2000, enquanto cantavam e batiam palmas.
Imagens da destruição.