NASA vai procurar vida numa das luas de Júpiter

A NASA vai ter oportunidade de olhar melhor para uma das luas de Júpiter, maior planeta do sistema solar: Europa, que a exemplo de outras luas – Ganimedes, Io e Calisto -, pode ser vista a “olho nu”, será mapeada durante a missão Europa Clipper, programada para ser lançada em junho de 2022.

Os dados são antigos, mas uma nova análise acabou por dar aos cientistas mais uma razão para olhar para Europa com renovada ação: a lua de Júpiter é uma dos principais alvos na busca de vida extraterrestre, depois de os cientistas encontrarem sinais de vapor de água acima da superfície gelada do satélite.

Uma distorção no campo magnético de Europa observada pela sonda Galileo, da Agência Espacial norte-americana NASA, durante uma passagem por Júpiter em 1997, parece ter sido causada por um géiser jorrando água para fora do manto de gelo na superfície do planeta, segundo pesquisadores que reexaminaram os dados da Galileo.

Os dados recolhidos há mais de 20 anos foram introduzidos em novos e mais avançados modelos computorizados para tentar resolver o mistério da distorção no campo magnético e a conclusão a que chegaram foi que os dados parecem confirmar a existência de plumas de água.

“Sabemos que Europa tem muitos dos ingredientes necessários para a vida, e para a vida tal como a conhecemos. Há água, há energia, há alguma quantidade de carbono. Mas a habitabilidade de Europa é uma das grandes questões que queremos perceber”, disse a cientista Elizabeth Turtle, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

A pesquisa, liderada pelo físico espacial da Universidade de Michigan, Xianzhe Jia, foi publicada na revista Nature Astronomy.

As descobertas confirmam outros sinais da existência de plumas em Europa, cujo oceano pode conter o dobro do volume de todos os oceanos da Terra. O telescópio espacial Hubble recolheu, em 2012, dados ultravioleta sugestivos de uma pluma.

Descoberta por Galileu em 1610, Europa é considerada uma das principais candidatas à existência de vida no nosso sistema solar, mas não é a única. Por exemplo, a sonda Cassini, da NASA, analisou vapor em Encélado, a lua de Saturno, que continham hidrogénio de fontes hidrotermais, um ambiente que pode ter dado origem à vida na Terra.