Lula conspirou com Joesley e Cunha para derrubar Dilma

Muitos fatos envolvendo o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ainda devem ser esclarecidos. Entre aquilo que já se sabe, é que o ex-presidente Lula se hospedou em um hotel em Brasília, onde instalou um bunker político para comprar votos de parlamentares.

É justamente neste aspecto que as coisas começam a ficar nebulosas. As suspeitas de que malas de dinheiro irrigaram as negociações foram confirmadas por diversos deputados que se reuniram sigilosamente com Lula naquele hotel na semana que antecedeu o impeachment na Câmara dos Deputados.

O que não se sabe é se Lula deu dinheiro para que parlamentares ficassem a favor ou contra o impeachment. O fato é que Lula se reuniu com diversos deputados que efetivamente votaram a favor do afastamento da petista. Se recebeu dinheiro e votou contra Dilma, não quer dizer que tenha traído o cominado com Lula.

A simples ida de um parlamentar ao encontro com Lula naquelas circunstâncias já se constitui em algo suspeito e nada republicano. Se foi ao encontro do petista participar do balcão de negócios ilícitos envolvendo a compra de votos, é por que tinha interesse ao menos em ouvir o que Lula tinha a propor.

As suspeitas de que o ex-presidente tenha atuado nos bastidores do poder para derrubar a então presidente Dilma Rousseff são antigas. Circulam informações de que o PT havia concluído que Lula não teria qualquer chance de se eleger em 2018, caso Dilma não fosse removida do cargo com antecedência. A petista havia provocado um dos maiores desastres na economia do país e Lula não teria uma narrativa para justificar sua volta, tendo sido ele o único responsável pela eleição de Dilma.

Já com o impeachment, o PT teria a narrativa do golpe na qual Dilma se tornou vítima e todos poderiam acusar seu sucessor pelas tragédias na economia, o que favoreceria a volta de Lula ao poder.

O ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já colocou lenha nesta fogueira, quando desmentiu as declarações feitas pelo empresário Joesley Batista à revista Época. Cunha citou um encontro entre ele, Joesley e o ex-presidente Lula, pouco antes do impeachment de Dilma. Joesley havia afirmado na entrevista que se encontrou Lula em apenas duas ocasiões: uma em 2006 e outra em 2013.

“Ele (Joesley Batista) fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes em 2006 e em 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontro que durou horas no dia 26 de março de 2016, sábado de Aleluia, na sua residência, entre eu, ele e Lula, a pedido de Lula, para discutir o processo de impeachment (de Dilma Rousseff)”, diz a carta. Cunha afirmou que pôde “constatar a relação entre eles e os constantes encontros que mantinham”.

Nesta reunião, Cunha teria tratado de recursos para comprar votos favoráveis ao impeachment de Dilma com a conivência de Lula e Joesley Batista. O doleiro Lúcio Funaro confirmou em delação várias operações envolvendo a compra de votos de parlamentares para aprovar o impeachment de Dilma. Funaro era operador de Joesley Batista e Eduardo Cunha.

O ex-deputado preso em Curitiba diz ter como provar tudo que diz sobre sua reunião com Lula e Joesley Batista, na qual trataram de garantir votos favoráveis ao impeachment de Dilma. Quem acompanhou a votação final do processo no Senado, até se surpreendeu com a tranquilidade da petista, que trocava afagos com o senador Aécio Neves e o então presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos favoráveis ao impeachment.

Ao que tudo indica, Dilma estava consciente do que estava em jogo e aceitou resignada cumprir o papel de vítima para que Lula pudesse ter um retorno triunfal em 2018. O problema é que todos, inclusive a Rede Globo, contavam com a possibilidade de Temer sucumbir em meio à pior recessão da história. Não foi o que aconteceu e o plano infalível começou a desandar.