Hackers contam esaquema para a Polícia Federal

O líder do grupo de hackers, Walter Degatti Neto, “O Vermelho”, preso na terça-feira (23), confessou à Polícia Federal que invadiu o Telegram de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outras centenas de autoridades, e que vazou as conversas para o site The Intercept. Walter também deu à Polícia Federal acesso à nuvem que guarda os dados roubados. O “Vermelho” e outros três suspeitos foram presos na tarde de ontem em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto.

A Polícia Federal encontrou R$ 100 mil em dinheiro vivo na casa de um dos suspeitos. O COAF também detectou movimentações atípicas de R$ 630 mil nas contas dos investigados.

O enredo

Na terça-feira (23) o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10° Vara Federal de Brasília determinou a prisão temporária de quatro suspeitos, além de quebrar seus sigilos bancários e autorizar busca e apreensão de veículos, computadores, notebooks, HDs, pendrives, CDs e DVDs em endereços frequentados pelos suspeitos.

Foram presos Walter Delgatti Neto, conhecido “O Vemelho”, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen Priscila de Oliveira. Os dois últimos formam um casal que apresentou movimentação extremamente atípica em suas contas bancárias, em períodos distintos – entre março e abril de 2018 e maio e junho de 2019.

Com renda mensal de R$ 5.058, movimentaram cerca de R$ 627 mil. Os valores possuem um contraste enorme em comparação com a renda mensal que declaram ao banco: ele (que é ex-DJ) com R$ 2.866 e ela com R$ 2.192.

Quanto aos outros dois, Delgatti Neto já responde processos por estelionato e foi filiado ao DEM de Araraquara, Danilo é motorista de Uber e nega qualquer envolvimento.

As operações de busca realizadas nos endereços do grupo revelaram que quase mil pessoas tiveram suas conversas no Telegram roubadas, entre autoridades dos três poderes, jornalistas e até o Ministro da Economia Paulo Guedes.

Os suspeitos foram transferidos para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília ainda na terça.

Com base nas informações coletadas, o juiz Vallisney concluiu que os suspeitos podem ser parte de organização criminosa: “Há fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras […]”

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