Fantástica descoberta de astrónomos que vai mudar o céu

O professor Larry Molnar, do Calvin College, e seus alunos, juntamente com colegas do Observatório Apache Point (Karen Kinemuchi) e da Universidade de Wyoming (Henry Kobulnicky), estão a prever uma mudança no céu noturno que será visível a olho nu.

Na sexta-feira (6), foi realizada uma conferência de imprensa onde Larry Molnar revelou como uma previsão que tinha feito em 2015, de que iria haver uma fusão de uma estrela binária no futuro próximo, está a progredir da teoria à realidade.

“A probabilidade de conseguirmos prever uma explosão é de uma num milhão,” comenta Molnar acerca do seu prognóstico audacioso. “Nunca foi feito antes.”

A previsão de Molnar é a de que uma estrela binária (duas estrelas que se orbitam uma à outra), que está a acompanhar, vai fundir-se e explodir em 2022, mais ano menos ano; nessa altura a estrela aumentará dez mil vezes de brilho, tornando-se por algum tempo uma das estrelas mais brilhantes do céu.

A estrela será visível como parte da constelação de Cisne, e acrescentará uma estrela ao padrão estelar reconhecível do Cruzeiro do Norte.

A exploração

A exploração da estrela conhecida como KIC 9832227, por Molnar, começou em 2013. Ele participava numa conferência de astronomia quando a sua colega e astrónoma Karen Kinemuchi apresentou o seu estudo das mudanças de brilho da estrela, que concluiu com uma questão: é pulsante ou é um binário?

Também presente na conferência, estava Daniel Van Noord, assistente de pesquisa de Molnar e então estudante de Calvin College. Ele assumiu a questão como um desafio pessoal e fez algumas observações da estrela com o Observatório Calvin.

“Daniel observou como a cor da estrela se correlacionava com o brilho e determinou que era definitivamente um sistema duplo,” salienta Molnar. “De facto, ele descobriu que a estrela era um binário de contacto, no qual das duas estrelas partilham uma atmosfera comum, como dois amendoins que partilham uma única casca.

“A partir daí, Dan determinou um período orbital preciso a partir dos dados de Kinemuchi e do satélite Kepler (pouco menos de 11 horas) e ficou surpreso ao descobrir que o período era ligeiramente inferior ao mostrado por dados anteriores,” continua Molnar.

Este resultado trouxe à mente o trabalho publicado pelo astrónomo Romuald Tylenda, que estudou os arquivos observacionais para ver como outra estrela (V1309 Scorpii) se comportou antes de explodir inesperadamente em 2008 e produzir uma nova vermelha (um tipo de explosão estelar apenas recentemente reconhecida como distinta de outros géneros).

O registo de pré-explosão mostrou um binário de contacto com um período orbital decrescente e a um ritmo cada vez maior. Para Molnar, este padrão de alteração orbital foi uma “pedra de Rosetta” para interpretar os novos dados.