Diretor da Globo admite que caíram na armadilha de Governo

O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, 57 anos, enviou nesta segunda-feira (4), longo comunicado elogiando a equipe envolvida na reportagem a respeito do episódio do porteiro do condomínio no qual têm casa o presidente da República e também suspeitos de participar no assassinato de Marielle Franco no dia 14 de março de 2018. O comunicado, entretanto, foi interpretado como o reconhecimento que os jornalistas caíram numa armadilha articulada pelo Governo.

No texto, Kamel destaca o fato de que uma pessoa próxima aos Bolsonaros teria procurado a Globo em Brasília para dizer que em breve estouraria uma grande bomba no caso Marielle e que a investigação poderia ser transferida para Brasília.

“A editoria em Brasília, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?”

Kamel também aborda a atitude do advogado de Bolsonaro: “Hoje sabemos que o advogado Frederick Wassef, eu defende o presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa, acusado de envolvimento com o assassinato”.

Kamel prossegue: “No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano”.

Kamel assinou o texto porque entendeu que a Rede Globo caiu num precipício ao priorizar a ideologia e desprezar a verdade. Kamel e sua equipe morderam a língua e se envenenaram.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *