Rebelião na Aleam

Está decidido! Deputados estaduais do Amazonas fecharam acordo neste feriadão para o desarquivamento da CPI dos “Maus Caminhos” e a investigação dos preços superfaturados cobrados pela empresa Bringel para a realização de cirurgias no Hospital Delphina Aziz, localizado na avenida Torquato Tapajós.

As feridas abertas durante a eleição suplementar motivaram a união de deputados de vários partidos. A condução do acordo para o resgate da CPI dos “Maus Caminhos”, proposta pelo deputado José Ricardo (PT) está sendo feita por membros influentes da Casa Legislativa, incluindo alguns da Mesa Diretora.

Desvio

Em maio deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Maus Caminhos que investigou o desvio de R$ 250 milhões do segmento da Saúde no Amazonas. Um dos denunciados é o médico Mouhamad Moustafa, apontado como o líder da organização criminosa.

Além de Moustafa, foram denunciados a enfermeira Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva, o farmacêutico Paulo Roberto Bernardi Galacio, os empresários Priscila Marcolino Coutinho, Alessandro Viriato Pacheco, Davi de Azevedo Flores, Erhard Lange e Gilberto de Souza Aguiar, além da médica Karina Moustafa – irmã de Mouhamad.

Todos respondem pelo crime de dispensa indevida de licitação, previsto no artigo 89 da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), praticado várias vezes e de forma continuada.

Mouhamad é réu nas sete ações e, se consideradas as penas máximas a que está sujeito, pode ser condenado a até 96 anos de prisão. Jennifer e Paulo respondem a seis ações e, pelas penas máximas, podem ser condenados a 71 anos de prisão, diante de uma série de agravantes a serem avaliados pela Justiça na sentença.

As investigações que deram origem à operação Maus Caminhos demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões de reais repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões de reais teriam sido destinados unicamente à Sociedade de Humanização e Desenvolvimento de Serviços de Saúde Novos Caminhos – Instituto Novos Caminhos (INC).

Qualificada como organização social, a entidade era responsável pela gestão de apenas três unidades de saúde no Estado: UPA 24 horas Campos Sales, em Manaus, UPA 24 horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, e Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos (CRDQ), em Rio Preto da Eva.

Os órgãos de fiscalização e controle apuraram ainda que os maiores fornecedores do Instituto Novos Caminhos eram apenas três empresas: Salvare Serviços Médicos Ltda., Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem Ltda. e Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea).

Superfaturamento

Na esteira da Operação, a Empresa Bringel foi acusada de superfaturar procedimentos cirúrgicos realizados no Hospital Delphina Aziz. Os primeiros levantamentos indicam que algumas cirurgias tinham um valor superfaturado em até 10 vezes dos preços cobrados por cirurgiões.

Centro

Os deputados apontam um dos apoiadores do governador eleito Amazonino Mendes como o mentor de todo o esquema de corrupção. Recentemente o político acusado foi novamente mencionado por ter relação íntima com uma pessoa que alugou um terreno ao Detran por R$ 200 mil/mês. A instituição seria da cota do político.

Os cardeais da Aleam avaliam que Amazonino Mendes terá dificuldades para governar em virtude do estrago que a CPI vai provocar no executivo estadual. “A questão é que a pessoa responsável pelo desvio apoiou Amazonino na eleição e traiu membros de seu partido. É o nosso grito de Independência”, comentou um dos deputados.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *