Plebiscito para separar o Sul

O movimento O Sul é o Meu País marcou um novo plebiscito para que a população dos três estados da Região Sul do Brasil – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – possam votar sobre a proposta de separação da região dos demais estados do Brasil. A nova votação está marcada para 7 de outubro. Na consulta em 1º de outubro de 2016, mais de 95% dos votantes disse ‘sim’ à separação, de acordo com os organizadores.

A votação foi realizada em 386 municípios e somou 616.917 participantes, segundo lideranças do movimento. Foram 590.664 votos favoráveis à separação e 26.253 (4,26%) contrários. O Rio Grande do Sul teve a maior aceitação, com 97,21% dos votos pelo “sim”. A meta era chegar a 1.191 cidades, segundo o site do Plebisul, como vem sendo chamada a consulta. Foram 1.278 urnas de votação.

A superintendente do movimento no Rio Grande do Sul, Anidria Rocha, explica que o objetivo da nova consulta é dar encaminhamento à pauta. Uma das estratégias é enviar documento completo da consulta a governos (estaduais e federal) e organizações da sociedade civil. O movimento quer levar a proposta à Organização das Nações Unidas (ONU) após concluir a mobilização.

“O povo não aguenta mais ver esta teta chamada sul alimentando grandes oligarquias. Há 25 anos a gente tenta de vários meios chegar a um senso pacífico para transformar esta realidade”, argumenta Moisés dos Reis, presidente da comissão do Plebisul em Porto Alegre.

O movimento estabeleceu como meta chegar a 5% dos eleitores de cada estado. Em Santa Catarina, foram 272 mil votos e eram buscados 230 mil na consulta em 1º de outubro de 2016. No Rio Grande do Sul, alcançou-se 397 mil, e a meta era de 372 mil. Mas no Paraná foram 20 mil votos. “Não é o ponto fraco, faltou organização. A aceitação é enorme entre os paranaenses”, avalia Moisés dos Reis. Foram 15 meses de preparação da consulta em 2016, com gasto de R$ 100 mil.

Promotor questiona legalidade jurídica

O promotor responsável pelo Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público no Rio Grande do Sul, Rodrigo Zilio, detalhou que a votação, embora seja permitida, carece de legalidade jurídica e é inapropriada em relação à sua forma. Zilio diz que a consulta popular, prevista na Constituição Federal, não poderia ser convocada por um movimento nessas circunstâncias.