Givenchy, o estilista, morre em Paris

FRANÇA – Hubert de Givenchy, o criador da casa francesa com o seu apelido, morreu este sábado, aos 91 anos, na sua casa em Paris. “É com grande tristeza que informamos que Hubert Taffin de Givenchy morreu”, afirmou Philippe Venet, o parceiro do estilista, num comunicado à AFP.

O estilista ficou famoso por ter ajudado a criar o mito do “pequeno vestido preto”. Vestiu Jackie Kennedy e, entre outras, Audrey Hepburn, no icónico Breakfast at Tiffany’s e também em Funny Face. A atriz inspirou o seu primeiro perfume L’Interdit. Foi a sua musa e uma amiga próxima. A amizade prolongou-se por 40 anos.

Era um aristocrata. Nasceu Hubert James Marcel Taffin de Givenchy, filho do marquês Lucien e Béatrice Taffin de Givenchy. O avô tinha uma fábrica de tapetes e o seu interesse pela moda começou quando teria 10 anos. “Sou feliz, porque tive o trabalho que sonhei em criança”, declarou numa conferência de imprensa, há vários anos, falando das suas cilentes e de uma das pessoas da moda que mais admirou, Cristóbal Balenciaga.

O nome de Givenchy foi sinónimo de moda durante os últimos 50 anos. Como outros nomes do design da moda de que foi contemporâneo, mostrava gosto pelo design de moda como pelo design de interiores ou pela arte. Com a sua casa quis ajudar a definir um novo conceito de elegância e sofisticação.

A maison com o seu apelido passou para as mãos do conglomerado de marcas de luxo LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) em 1988, por 45 milhões de dólares. Nesse dia, Givenchy disse adeus a 36 anos de independência, mas abriu a porta a uma expansão da marca. Manteve-se como diretor criativo até à reforma, em 1995.

Por ali passaram jovens que se viriam a revelar novas estrelas da indústria. John Galliano, Alexander McQueen e Julien McDonald. Nenhum deles conseguiu pôr a marca no mapa como Riccardo Tisci. O italiano, que tomou conta da marca em 2005, trouxe uma inspiração gótica para o design Givenchy tornando-a de novo relevante.

“Uma personalidade maior do mundo da alta-costura francesa e um cavalheiro que simbolizava o chique e a elegância parisiênse por mais de 50 anos”, disse a companhia em comunicado. “Profundamente triste”; declarou-se o presidente da empresa, Bernard Arnault

“Ele esteve entre os designers que colocara Paris firmemente no coração do mundo da moda pós-1950 ao mesmo tempo que criava uma personalidade única para a sua marca de moda. Tanto nos seus prestigiantes vestidos longos como na roupa de dia, Hubert de Givenchy juntou duas raras qualidades: ser inovador e intemporal”, acrescentou Arnault.

Uma portuguesa entre as suas clientes

1952 é o ano em que faz a sua primeira coleção de alta-costura. Dois anos depois, lança a primeira coleção de pronto-a-vestir. As suas roupas vestiram mulheres como a princesa Grace do Mónaco, Bunny Mellon, a duquesa de Windsor, Baby Paley, Gloria Guiness, Jane Fonda e a portuguesa São Schlumberger, casaco com o magnata do petróleo Pierre Schlumberger.

“A minha é a mais bela profissão da moda: fazer os outros felizes com uma ideia”, disse há um ano na inauguração da exposição com o seu nome no Museu da Renda e da Moda de Calais.

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