A inércia da sociedade

Os ataques cotidianos das castas que se apossaram do poder encontram um terreno fértil para se perpetuar. Não encontram mais qualquer resistência da sociedade. O povo da periferia social – àquele que tem menos oportunidades -, foi durante centenas de anos condicionado a aceitar que é inferior, porque na concepção das castas, para “vencer na vida” vale tudo. Os infelizes e imorais ostentam bens adquiridos por meio da corrupção, acordos espúrios e assaltos aos cofres públicos. Isso está sangrando o trabalhador.

A dignidade foi extinta. Não faz mais parte do orgulho do brasileiro. Um povo passivo, tratado como rebanho, que aceita migalhas dos “poderosos”. Um povo perde a capacidade de reagir aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há abundantes evidências de crimes por todas as partes, mas a sociedade dá os ombros, vencida pela audácia dos canalhas.

É contraditório petistas e comunistas adjetivarem pessoas que discordam de seus roubos como “de direita”. Quem concorda com Lula e Dilma, se acha de esquerda. Criticar os ladrões é posicionamento de direita? Eu, sinceramente, não entendo. Fico perdida em meus pensamentos.

Que Lula é o maior ladrão da história mundial ninguém tem dúvida. Que Dilma era sua comparsa, ninguém também tem dúvida. Por que, então, parte da população ainda acredita nos ladrões? Ignorância? Covardia? Falta de vivência e desapego ao afeto? Não é possível que uma pessoa não se preocupe com o futuro de sua família diante de quadro de falência do país. Essas pessoas crédulas contribuem para que a herança maldita continue estruturada, fundamentada nos discursos do PT, PCdoB, PSDB, PMDB e dos demais partidos políticos agregados e cúmplices.

E o que escrevo tem fundamento. Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. As obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas diretorias da Petrobras. Aqueles pagamentos às prostitutas de luxo. A lista não acaba.

Os trabalhadores caem na desgraça quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país cai na desgraça quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses “semideuses” acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal.

Um país não tem futuro quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país não rompe com a corrupção quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque, dá isenção fiscal a quem não precisa, quando dá aos poderosos o direito a foro privilegiado, quando o país se divide, quando os professores vivem mendigando, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros.

Tudo isso está nas nossas “caras”. E tem eleitor que acredita em renovação pelo voto. Ainda tem eleitor que acredita no Lula. É difícil de engolir. Revolução verdadeira só vai acontecer quando a periferia se mobilizar e perceber que é a peça mais importante do processo. Não existe Revolução sem derramamento de sangue. Sempre foi assim. A história está cheia de exemplos.

Não tenho ladrão preferido. Tento não votar em corruptos. Tenho a capacidade de perceber que alguns políticos ainda não foram contaminados. Tenho pena de quem acredita em Lula, Aécio, Renan, Temer, Dilma e outros incompetentes. São incompetentes sim, porque é uma característica comum entre ladrões.

Tive a sorte de estudar com gênios das Ciências Exatas e Biológicas. Todos eles, doutores ou pós-doutorado e, acima de tudo honestos. Competência e honestidade andam de mãos dadas.

*Yanna Bach é professora aposentada

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *