A Gramática nos Concursos

O cotidiano do professor passa por uma luta diária contra a influência de péssimos modismos musicais, a falta de leitura dos estudantes e, consequentemente, a dificuldade de escrever. A fusão das questões leva a um péssimo rendimento.

No último concurso promovido pela Secretaria de Educação de Manaus, se a prova de Português tivesse peso 2, como acontece na maioria dos concursos, a classificação seria completamente diferente. Então, fico a questionar: Como pode um professor com pouco conhecimento gramatical ensinar a interpretar uma questão se ele não sabe ler, escrever e ter vocabulário que facilite a aprendizagem?

Palavras erradas como mendigo, tauba, imbigo, adevogado, mortandela, iorgute, célebro, sombrancelha, salchicha, ingual, indentidade, rezistro, bisoro, sutién, largatixa, cabeleleiro, cardaço e, muitas outras, são comuns entre, professores (?). É uma contradição.

Frases erradas geram interpretações erradas. Vou destacar algumas comuns num diálogo:

“Houveram” muitos acidentes. Haver é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

“Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias.

Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

“Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

“Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

“Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

A lista é grande, mas ressalto que o entendimento da gramática é fundamental para a resolução de questões. No concurso programado pela SEDUC-AM vai exigir uma questão discursiva. A exigência vai valorizar os candidatos que sabem Gramática e concordância.

*Yanna Bacha é professora aposentada