Política X Newton

O desconhecimento de conceitos básicos da Física levam jornalistas, blogueiros e “analistas políticos” ao cometimento de erros primários.

Imagine a seguinte situação: você está numa bicicleta parado num semáforo. Ao seu lado tem um ônibus articulado. Quando o sinal fica verde, você começa a pedalar e o motorista a acelerar o ônibus. Quem parte primeiro? Quem vence a inércia com mais facilidade? É claro que é você, pois a sua massa somada a da bicicleta é muito menor que a do ônibus.

“A inércia é um princípio da física, também conhecido como a Primeira Lei de Newton. É a capacidade de resistir à mudança de movimento”.

A política tem semelhança com o Princípio da Inércia. A mudança de trajetória é muito difícil; só é possível se, sobre o “corpo” atuar uma força externa.

A política não se movimenta como uma lancha veloz; ela pode ser associada a um navio cargueiro. Nas próximas eleições, apesar da mobilização social, os que estão no poder tendem a continuar. O cenário pode ser explicado pela falta de informação dos eleitores, na suposta insegurança das urnas eletrônicas e nos recursos disponíveis por quem está no poder ou próximo dele.

No Brasil, apesar da Lava Jato, existe, infelizmente, a tentativa de polarização do PT com o PSDB. É uma comédia, um presidiário concorrer a presidência da República. Do outro lado, Geraldo Alckimin, ainda não condenado, mas já denunciado, como adversário na corrida presidencial. Tudo farinha do mesmo saco.

No Amazonas, a situação também é muito grave. Qual o candidato que incorpora a mudança? Nenhum. Quem poderia assumir esta condição não foi indicado até o momento. Em todos os âmbitos não têm direita, muito menos esquerda. Existe apenas um povo analfabeto incapaz de desviar o navio cargueiro. Um povo que prefere ficar observando o estrago que ele vai gerar.

No exercício do magistério, tive a oportunidade de ouvir grandes intelectuais em vários ramos do conhecimento. Ouvi, só ouvi. Muitas vezes não entendia a linguagem e pesquisava. Se aprendi, não sei. Mas, no jornalismo, entendi que no meio político raríssimas pessoas são confiáveis. Alguns não pagam nem os serviços contratados. São, o que na linguagem popular, podemos definir como caloteiros.

A lista é grande: tem vereador, deputado estadual e um deputado federal conhecido por dar tombos. Se não honram com os compromissos financeiros, como vão honrar com a palavra dada ao eleitor?

A dúvida permeia meus pensamentos. Uma coisa tenho certeza: só o emprego da força pode mudar o rumo do cargueiro político.

*Rosalvo Reis é professor de Física e jornalista