Os gramscistas da “esquerda”

Antonio Gramsci foi um filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística. Foi membro-fundador e secretário-geral do Partido Comunista da Itália, e deputado pelo distrito do Vêneto, sendo preso pelo regime fascista de Benito Mussolini, com quem trabalhou em 1915 na redação do jornal socialista italiano “Avantil”.

Na prisão escreveu suas reflexões, publicadas no Brasil pela editora Civilização Brasileira, na década de 1970, com o título de “Cadernos do Cárcere” (quatro volumes). Gramsci escrevia quase que em código, para que os censores não confiscassem suas “lições”, que saíam da prisão por uma de suas cunhadas, funcionária da embaixada soviética em Roma.

Segundo Gramsci, deveria ocorrer mudanças nos valores morais e éticos (verificar a tentativa de sexualizar as crianças nas escolas), de modo a neutralizar as resistências burguesas. O Judiciário deveria ser criticado em suas decisões legalistas, e incentivado a adotar decisões “sociais”, ignorando os dispositivos legais. Para ele, deveria ser exercida pressão nas decisões que pudessem prejudicar a “esquerda”.

As casas legislativas deveriam ser objeto de constante crítica e desmoralização, enquanto os representantes do partido “trasbalhador” surgiriam como únicos acima das críticas. As Forças Armadas deveriam ficar sob constante açulamento, e deveriam ser vistas como desnecessárias, perdulárias, ignorantes, ditatoriais.

As polícias devem ser sempre acusadas de truculência, violência e corrupção, enquanto a marginalidade deveria ser alvo da proteção dos direitos humanos e da tolerância, por pertencer à classe subalterna. Se o bandido age à margem da lei é apenas por falta de opções, sendo a marginalidade fruto, pois, da injustiça social e da exclusão burguesa. Nada mais justo, pois, que os burgueses sofram na pele, sem reclamar, o castigo de serem “expropriados” de seus bens, e até às vezes “justiçados” pelos “excluídos”.

A Igreja Católica deveria ser lembrada por suas falhas, como a pedofilia, a riqueza e o alinhamento com a aristocracia. Não se deveria falar nas suas qualidades, como as modelares instituições de ensino e caridade. Os padres “socialistas” deveriam ser tratados como santos, exaltados como portadores de todas as virtudes. As minorias deveriam ser despertadas para a marginalização a que foram sujeitas e seriam chamadas à vingança contra a dominação burguesa, fossem minorias raciais, étnicas ou sexuais.

Todo o sistema capitalista deveria ser demonizado: os fazendeiros como latifundiários exploradores de mão de obra escrava, depredadores da natureza; os industriais como gananciosos apropriadores da mais valia e sonegadores; os banqueiros como parasitas especuladores; os órgãos de imprensa como vendidos ao capital nacional e estrangeiro.

Os intelectuais tradicionais deveriam ser cooptados, e os intelectuais da “classe”, os dito orgânicos (isto é, todos os cidadãos que fossem inteiramente obedientes ao partido), deveriam ser estimulados a um incessante trabalho de convencimento e doutrinação (fase da hegemonia). Numa última fase, neutralizados os organismos burgueses da sociedade civil, quando a sociedade já aceita a imposição de novos valores culturais, éticos e morais, já não mais tem mecanismos de reação, é hora de tomar o poder, instituir o socialismo e caminhar para a etapa final, o comunismo (fase estatal).

Agora, você, caro leitor, identifica algum partido do Brasil que adota essa política? Você identifica algum político brasileiro que representa os seguidores de Gramsci? É o “moderno príncipe”, como dizia Gramsci, admirador de Maquiavel, mesmo que o político seja um corrupto.

No Brasil, o gramscismo chegou ao governo antes de chegar ao poder. As fortes instituições reagiram à busca da “hegemonia”, como vimos com a questão do mensalão, na tentativa de censurar a imprensa e corrupção generalizada combatida pela Lava Jato.
Agora, você entende o que Lula e seus seguidores procuram? Simples responder: quer submeter a população a um regime ditatorial, a exemplo da Venezuela de Maduro. E Lula está no topo de tudo isso. Claro que orientado por alguns “pensadores” gramscistas.

*Rosalvo Reis é professor de Física e jornalista

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *