Os buracos nas ruas

Nas redes sociais, é comum pessoas leigas criticarem as administrações municipais pelo surgimento de milhares de buracos nas pistas da cidade. A situação é grave, mas para entender o problema, é preciso conhecer o índice pluviométrico, o tipo de solo da cidade, a alta temperatura e, principalmente o crescimento desordenado em decorrência do fluxo migratório do interior do Estado e de outras regiões do país.

A perda de controle do crescimento da cidade acabaram por determinar a ocorrência de vários problemas ambientais em Manaus e necessidade de infraestrutura, dando como exemplo, a demanda por obras de pavimentação.

Com a instalação do Parque Industrial houve um crescimento na circulação de transportes pesados em grande porte na cidade, o que acaba por promover a deterioração precoce do revestimento asfáltico e aumento na manutenção dos pavimentos.

Neste caso, o ideal seria a utilização de pavimentos mais resistentes para suportar toda a carga gerada pelo tráfego de transportes pesados e corredores de ônibus. A medida teria alto custo. De onde viriam os recursos num momento de crise econômica?

A solução a curto prazo tem sido o aproveitamento de pneus inservíveis em pavimentação asfáltica tem sido uma solução valiosa e associa ganhos em termos tecnológicos e ambientais. A incorporação de borracha moída de pneus às misturas asfálticas proporciona melhor desempenho dos pavimentos e contribuiu para a redução do passivo ambiental, o que conduz à redução dos problemas ambientais gerados pela disposição inadequada deste material no meio ambiente.

Nos últimos anos, as rodovias de alto volume de tráfego apresentam aumento no VDM (número de veículos médio diário), maior peso nos caminhões, aumento da carga por eixo e aumento da pressão dos pneus (Pressão é calculada pela razão entre o Peso e a unidade da Área de contato), requerendo revestimentos betuminosos mais resistentes e técnicas construtivas mais modernas. Entretanto, a opção pela utilização de cimentos asfálticos modificados por borracha de pneus e também por polímeros, tais como SBS, SBR, EVA, etc. tem sido uma solução para suprir algumas deficiências do ligante asfáltico e melhorar as suas propriedades, assim como a tentativa de ordenar a circulação de veículos pesados.

Nos países do chamado primeiro mundo há uma preocupação efetiva com a melhoria da qualidade do pavimento rodoviário e com o aumento da vida útil das estradas. Há mais de 50 anos se empregam aditivos para melhoria das propriedades dos ligantes asfálticos, aditivos tais como enxofre, asfaltos naturais e nos últimos trinta anos foi verificada que a adição de polímeros melhora consideravelmente a resistência do pavimento ao escoamento sob condições de aquecimento elevado.

Não esqueça que o ligante asfáltico é sensível a variações climáticas. As baixas temperaturas (quando chove) facilitam o surgimento de trincas, enquanto que em climas quentes, como no caso do Brasil e em especial a Região Amazônica, onde a temperatura se mantém alta o ano inteiro, os pavimentos asfálticos estão sujeitos a maiores deformações permanentes devido ao amolecimento do ligante asfáltico, o que contribui também para o envelhecimento precoce da pavimentação. Manaus enfrenta os dois problemas.

Então, antes de qualquer crítica, estude, pesquise e adquira conhecimento sobre o assunto.

*Rosalvo Reis é professor de Física e editor do Portal Roteiro de Notícias