As diferenças nas escolas

Por que o sistema educacional da Finlândia é o melhor do mundo? Alguns detalhes simples fazem a diferença: O respeito da sociedade finlandesa pelos professores e a autonomia de que estes gozam.

A Finlândia foi considerada há dias o país mais feliz do mundo, a educação é essencial para essa felicidade?

O país celebrou o centésimo aniversário de independência em 2017. Em 100 anos a Finlândia passou de um país muito pobre e distante para o mais feliz do mundo. A educação teve um papel crucial.

O magistério é uma profissão muito popular na Finlândia. Muitos jovens talentosos querem ser professores. É uma profissão respeitada. E isso tem uma explicação histórica. Antigamente, havia pequenas comunidades muitas vezes com um só professor para ensinar as crianças.

Os gestores, então, resolveram proporcionar a cada criança igualdade de oportunidades. Independentemente do passado familiar. Esse é um dos segredos da educação eficiente: que todas as escolas sejam igualmente boas e que todas ofereçam a melhor educação.

Na Finlândia quase não há exames nacionais e os professores são profissionais com muita formação. Todos têm mestrado. Elestêm autonomia, de forma que possam escolher os materiais que usam, os métodos que usam. Decidem como ensinam, onde ensinam.

O país tem um plano nacional de educação, mas os professores têm autonomia e isso gerou excelentes resultados.

O finlandês tem um curto período na escola. Por exemplo, quando a escola começa, aos 7 anos, só têm quatro horas de aulas por dia. Não precisa ter dias longos e muitos trabalhos de casa graças à alta qualidade dos professores. Depois as crianças podem ter passatempos. Assim, a escola na Filândia não é estressante. Querem que o ensino seja divertido. Muitas escolas oferecem atividades para os alunos, sobretudo os mais novos.

O sistema de ensino no Brasil está caminhando em sentido contrário. O professor não tem autonomia nem para escolher o material didático, recebem salários baixíssimos, são, muitas vezes, perseguidos por pedagogos e não têm um plano de carreira.

O Enem é a avaliação nacional que, a despeito das desigualdades regionais, aplica um exame como se todas as escolas fossem iguais e desprezam a história e a geografia regionais. São tantos problemas, que se for enumerá-los, levaria uma semana para terminar o texto.

Em 1991, participei de uma reunião de professores numa famosa escola de ensino médio de Manaus. Fui surpreendido quando fui informado que, a partir daquele ano os professores teriam que submeter as questões da avaliação bimestral à pedagoga. Levantei e perguntei: Senhora pedagoga, a senhora entende Física? Ela ficou calada. Então avisei: se for desta forma, vou pedir demissão. Os outros professores se revoltaram e ameaçaram largar tudo. A pedagoga recuou. Se os professores não se unirem, vai se perpetuar a política de desmoralização da última barreira moral deste país.

*Rosalvo Reis é editor do Portal Roteiro de Notícias e professor de Física

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