A imaginação humana

Muita gente me pergunta sobre determinados assuntos que fogem à compreensão. Perguntas sobre fantasmas, casas mal-assombradas, demônios possuidores de corpos e abduções por alienígenas são recorrentes. Mas, o que realmente acontece ou o que é fruto da imaginação?

A mãe de todas as ciências, a Física, transita por vários ramos do conhecimento. A Física percebeu há décadas, que nosso cérebro adora pregar peças em nós mesmos, nos fazendo acreditar em coisas que não estão realmente lá.

Quando você está dirigindo um veículo e observa o asfalto à sua frente, dependendo do ângulo de observação, ele vai parecer ter uma lâmina de água nos dias de alta temperatura. Quando você se aproxima, verifica que o asfalto está seco.

A explicação para o fenômeno é simples: é um caso de reflexão total e ocorre quando a luz passa de um meio menos refringente para um meio mais refringente, por exemplo. É uma das explicações para as miragens.

Há uma explicação científica para quase todas as coisas estranhas que alguém já viu – e algumas delas são às vezes mais impressionantes do que os mitos.

Vamos explicar uma situação simples: quando as pessoas colocam os dedos em um tabuleiro Ouija e veem aquela pequena seta plástica se mexer, elas não estão vendo coisas: ela realmente se mexe, mesmo que não haja nenhum brincalhão na roda que a esteja empurrando para alguma direção.

As pessoas que a tocam ficam sem entender e realmente acreditam que não estão fazendo nenhum movimento. Pensam, logicamente, que forças externas ou espíritos estão agindo sobre os ponteiros.

Mas, o fenômeno é chamado “efeito ideomotor” e há um experimento interessante que é possível fazer em casa para testá-lo: coloque um peso em uma corda, balance-a e tente manter o braço completamente imóvel. Em seguida, faça a si mesmo perguntas e diga a si mesmo que o peso girará no sentido horário se a resposta for “sim” e no sentido anti-horário se “não”. Como por mágica, o peso deve mudar de direção para responder às suas perguntas – e você realmente acreditará que não é a causa do movimento.

Isso acontece porque nossos corpos fazem pequenos movimentos subconscientes. Quando você se faz uma pergunta, sua mente subconsciente responde e sutilmente move seus músculos sem que você perceba. Músculos pequenos se moverão em seus dedos para responder às suas perguntas, e parecerá que o peso está se movendo por conta própria.

A mesma coisa acontece quando você usa um tabuleiro Ouija. Seu subconsciente move sutilmente aquela pequena seta de plástico e, para você, parece que ela está se movendo sozinha.

Outra situação que pode romper com a possibilidade de ter sido uma pessoa importante numa vida passada, não resiste a uma abordagem do Paradigma da Falsa Fama. Algumas pessoas estão convencidas de que podem lembrar-se de ter sido Joana d’Arc, um imperador romano,um faraó egípcio, etc., pode ser algo incrivelmente simples: elas só têm memórias bem ruins.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, aplicou um teste chamado “Paradigma da Falsa Fama” a um grupo de pessoas que estavam convencidas de que podiam se lembrar de suas vidas passadas.

Os participantes precisavam ler uma lista de nomes inventados. Então, no dia seguinte, eles leram uma nova lista com uma mistura de nomes de pessoas famosas e os nomes que tinham lido anteriormente. As pessoas que acreditavam poder lembrar-se de vidas passadas insistiam que esses nomes inventados eram apelidos de celebridades famosas.

Em outras palavras, as lembranças desses participantes foram facilmente confundidas. Quando eles não conseguiam se lembrar de onde tinham visto um nome que parecia familiar, seus cérebros inventavam histórias para explicar quem eram essas pessoas falsas. Acredita-se que a mesma coisa aconteça quando eles inventam histórias sobre vidas passadas.

• Rosalvo Reis é professor de Física e jornalista