A estratégia de Bolsonaro

Para entender os movimentos do presidente Jair Bolsonaro é preciso refletir a teoria da “estratégia militar dissonante” de Piero Leirner, professor de antropologia da Universidade Federal de São Carlos (UFScar).

Acadêmicos e jornalistas ainda não conhecem Bolsonaro, o que não deixa de ser um erro. Agora, depois de vários discursos de integrantes do Governo Federal e dos filhos do próprio presidente, Bolsonaro, oriundo da Academia Militar das Agulhas Negras, está começando a ser levado à sério.

Quando uma declaração de alguém do convívio de Bolsoinaro gera confusão, a oposição acredita que pode avançar. Com a controvérsia estabelecida nas redes sociais e na mídia tradicional, a esquerda usa o evento para estabelecer o caos, campo onde têm experiência.

A partir da polêmica, o presidente demora um pouco a aparecer. Daí, com a esquerda assanhada, surge para apaziguar, sempre pronto a mediar.

Ao falar do AI-5, o deputado Eduardo, filho do presidente Jair Bolsonaro, atuou como detonador da estratégia dissonante.

O papel de detonador da estratégia dissonante já foi exercido pelo vereador Carlos Bolsonaro e por meia dúzia de parlamentares aliados com muita penetração nas redes sociais.

A controvérsia se estabelece e a oposição e as entidades que defendem a democracia se insurgem contra a declaração. Mas aí aparece Bolsonaro para colocar panos quentes na polêmica.

No episódio, Jair Bolsonaro entrou em cena, criticando a fala do filho. Este, então, como era esperado, se retratou. E a estratégia do caos e da paz mais uma vez foi usada. E parece ter funcionado. A esquerda perdeu o discurso.

A mídia e a esquerda ficaram falando do assunto por dois dias. O presidente adorou a falta de entendimento dos “intelectuais” das mesas de bar.


Rosalvo Reis

Rosalvo Reis

Editor do Portal Roteiro de Notícias

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