Thor: Ragnarok – Análise

O deus do trovão da Marvel estrela talvez o filme mais cômico do estúdio. Como um leigo que não conhece os quadrinhos do herói, muito menos os que inspiraram o filme, não lembra de quase nada do que viu no primeiro filme e não assistiu ao segundo, a versão do herói deste terceiro filme é praticamente a primeira com a qual me deparei, e, analisando isoladamente este episódio, devo dizer: é o filme de super-herói despretensioso mais divertido que a Marvel conseguiu produzir.

Igualmente aos meus filmes favoritos do estúdio – Homem-Formiga, Guardiões da Galáxia e Homem-Aranha: De Volta ao Lar, este Thor: Ragnarok já estabelece no primeiro diálogo da trama a leveza e a despretensão que a projeção inteira abraça. É hilário abordar nada menos que o fim dos tempos da mitologia nórdica com um nível de autodepreciação que torna tudo, no mínimo, mais leve de se digerir. Apesar de intenso, o humor é explorado na medida em que os conflitos nunca deixem de ser críveis, apesar de, às vezes, ser um humor tão bobo (e não digo no sentido ruim da palavra) que, para algumas pessoas, pode soar estranho, não parecendo tão regulado quanto nos filmes anteriormente citados.

Apesar disso, as piadas são ótimas, e as intenções do herói, sempre legítimas. A interação do herói com Hulk é um dos pontos fortes da trama. Hulk aqui é mostrado talvez em sua melhor forma, mostrando, além de sua força descomunal, seus sentimentos.

A computação gráfica é soberba. O demônio Surtur é de um realismo absurdo (uma menina no cinema chegou a chorar de medo, mas o humor recorrente do filme a deixou mais leve posteriormente). Os cenários do planeta Sakaar são cheios de uma variedade de cores que evoca o caráter lúdico que as brigas de arena tem para o Grão-Mestre. Essa profusão de cores transmitem o sentimento de euforia, esperança e glória que vai ao ápice do tom mais puramente aventuresco que a Marvel já atingiu.

Jeff Goldblum está hilário como o Grão-Mestre, com seu ar cinicamente hedonista, Tessa Thompson confere elegância e um divertido ar debochado para a Valquíria. Incrivelmente competente está Cate Blanchett, que rouba várias cenas, sendo Hela, a deusa da morte.
Os cabelos pretos lisos evocam o aspecto sedutor da personagem, e seu rosto incrivelmente pálido torna seus olhos azuis mais marcantes. Em sua versão “de ataque”, ramificações pontiagudas bizarras saem de sua cabeça, me fazendo remeter ao Abu, da série animada Samurai Jack, nitidamente inspirado no design de Hela.

A trilha sonora comandada por Mark Mothersbaugh (da banda Devo) proporciona uma atmosfera mista, ora épico, ora cibernético, pelo uso intenso de sintetizadores, que também evoca o tom de ação e perigo sempre constante na história.

Thor: Ragnarok é um ótimo programa do mais puro entretenimento, regado a uma beleza visual que não deve encontrar similares no cinema deste ano. Sem dúvida, é a mais certa indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. Definitivamente, o filme é a síntese da mais pura e abstrata sensação de vômito de arco-íris que um fã nerd ou um cinéfilo poderiam ter, e nós agradecemos a Marvel por isso.

Fábio Reis é formando em Design Industrial

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