Star Wars: Rebels

O primeiro fruto da aquisição da LucasFilm por parte da gigante Disney foi uma série animada que se passa entre os Episódios III e IV da saga de George Lucas.

Desmistificando a ideia de que todos os cavaleiros Jedi haviam morrido com a rebelião dos clones na execução da chamada Ordem 66, com exceção de Mestre Yoda e Mestre Obi-wan Kenobi (como mostrado no Episódio III), a série nos apresenta um grupo de rebeldes que comandam a nave Espectro, praticando missões arriscadas com a tentativa de derrubar o Império e libertar os oprimidos pelo mesmo.

O grupo é liderado por ninguém menos que um cavaleiro Jedi, chamado Kanan Jarrus, que vê no jovem Ezra o pupilo perfeito para treinar as artes Jedi. O protagonista Ezra, que aprendera a sobreviver de pequenos roubos para sobreviver, encontra um novo propósito para sua existência ao se deparar com os caminhos da Força e a luta pela causa nobre de restaurar a República.

Um lasat (espécie de alien) mal-humorado, Zeb Orrelius; a caçadora de recompensa com dotes artísticos Sabine e a piloto twi´lek (oura espeécie alien) Hera Syndulla completam o time da rebelião. Ah, claro que não poderíamos esquecer do malicioso Chopper, o droide astromecânico da equipe.

Dizer que Rebels é uma série com um certo teor de leveza voltado a um público infanto-juvenil e à família (como pode ficar aparente a um desavisado que vê uma imagem promocional da série), é um lugar-comum em se tratando da saga Star Wars. A saga em geral é essencialmente infanto-juvenil, quando se propõe a trabalhar com os grandes arquétipos das narrativas míticas, portanto, com figuras de importância narrativa bem delimitada e a dualidade básica do bem contra o mal, sendo uma representação fiel do conceito da Jornada do Herói. A saga, portanto, em sendo mítica, não reconhece faixa etária. Como toda jornada do herói, a história da saga aborda os valores essenciais do ser humano. Rebels é um complemento relevante dentro da história da saga, que é obrigatório para qualquer fã.

Apesar dos personagens em CGI com uma renderização não muito detalhada, podendo fazer facilmente com que algúem julgue “o livro pela capa”, confundido eventualmente a série com qualquer outra série animada com teor pré-escolar; os cenários, por sua vez, são lindos, e além de reproduzir os planetas já conhecidos da franquia, ainda introduzem outros ainda mais interessantes, com criaturinhas intrigantes. Figuras conhecidas da saga, como os AT-AT´s e AT-ST´s também estão presentes, e até a sonda imperial (cujo barulhinho ainda me faz lembrar do clássico jogo Shadows of the Empire, do Nintendo 64) ganha uma importância narrativa maior em alguns episódios.

Alguns episódios tocam em questões essenciais como amizade, justiça e generosidade, e, de maneira inteligente, apesar de ser uma série animada, não deixa de ter seu tom sombrio, mostrando a figura dos inquisidores, com aspectos medonhos e peso maior até do que alguns vilões dos filmes. Além disso, vai além e inova na abordagem de dilemas morais, focando de maneira mais realista e complexa o senso de ética dos rebeldes, com escolhas morais difíceis de fazer, de maneira similar a alguns dilemas mostrados em Rogue One.

A paleta de cores fortemente marcada pelo uso do laranja e do verde ecoam a essência da Aliança Rebelde: o ânimo e a esperança. O laranja e cores mais pardas se estendem pelo figurino de cada membro da equipe, e até o droide Chopper apresenta o laranja, ajudando a transmitir sua sagacidade e teimosia.

O uso de uma pistola de cristais de Ezra acoplado ao seu sabre-de-luz é um item que deixará os fãs vibrados também. Outro elemento empolgante para os fãs é a presença breve de certos personagens clássicos, como Obi-wan e Princesa Leia, além de um mistificado Yoda. Mas a presença mais envolvente, sem dúvida, é a de um Sith (que não irei revelar a identidade, obviamente) que ressurge das cinzas com uma personalidade curiosa e ambígua, sendo explorado da forma merecida, que o Episódio I não soube fazer.
Oops… vou acabar revelando demais… Este vilão encerra com maestria a segunda temporada da série.

Com roteiros inteligentes e cenas de ação bem planejadas, além de personagens tão tridimensionais e críveis que fazem-nos esquecer que se tratam de personagens em computação gráfica, Rebels tem a qualidade que faz jus à saga à qual pertence.

Fábio Reis é formando em Design Industrial

Deixe uma resposta