Samurai Jack: Temporada 5 – a conclusão da saga

Após cerca de 12 anos desde que a icônica série animada “Samurai Jack” foi descontinuada, enfim, uma nova temporada chega para concluir a saga desse que foi um dos projetos mais diferenciados e autorais do Cartoon Network, criado por Genndy Tartakovsky (criador de “O Laboratório de Dexter” e “Star Wars: Clone Wars”, além de grande responsável por ”As Meninas Superpoderosas”).

Com o mesmo estilo visual encantador, uma paleta de cores vívida, elementos planificados e design de personagens bem econômico e caricato, o cenário rico em texturas faz brilhar o olhar.

O background é um elemento tão bem trabalhado nos planos de câmera que, juntamente com os efeitos sonoros, transmitem um senso de realismo, por mais bidimensional que o estilo visual da obra seja.

Ainda dotadas de poucos diálogos, as cenas silenciosas conseguem captar a serenidade da personalidade do próprio Jack, sempre tentando se manter são e atento, em meio a tantos perigos. Incrível como o caráter contemplativo de certas sequências casam bem com a extrema tensão constante das lutas que se seguem a elas, todas muito bem coreografadas e planejadas. A condução da ação é uma verdadeira obra de arte em “Samurai Jack”.

Já barbudo e cansado, vemos um Jack exausto, após os quinze anos, descritos na série, que já se passaram, desde que foi enviado ao futuro pelo demônio Abu. Por falar no vilão, há um humor hilário em torno da personagem, que envolve tanto os diálogos – com seu sarcasmo habitual, quanto o físico – com as diversas formas de expressão que seu corpo proporciona. Isso, aliado às outras pequenas explorações irônicas de humor ao longo da trajetória de Jack, fornecem um bom alívio cômico à narrativa, que se contrapõe bem à violência gráfica da obra, explorada de maneira ainda mais intensificada nesta temporada, que foi especialmente feita com uma proposta mais adulta. Como sendo uma obra do Adult Swim, aqui há a liberdade que Genndy Tartakovsky almejava para dar mais visceralidade à sua produção. Aqui vemos lutas com direito à exploração do sangue, bem como de algumas mortes mais intensas; além de uma levíssima, mas – nem por isso menos marcante – cena de nudez que acaba funcionando como um artifício cômico durante uma certa luta.

Além de novas criaturas medonhas e novos cenários suntuosos – elementos típicos da série, há um aspecto bem mais psicológico de Jack sendo trabalhado, com a exploração da fadiga e da culpa do herói, com direito a uma abordagem mais que pertinente à infame prática do seppuku – o ritual de suicídio de honra do samurai (o que, obviamente, não chega a ocorrer).

A presença de novas figuras, de cujo núcleo sairá uma nova personagem, é o que definirá o ponto de virada para a conclusão da saga. A relação interpessoal entre Jack e essa personagem é a “alma” dessa temporada. Antes sempre sozinho, Jack terá agora alguém em quem confiar, não só para a sobrevivência, mas para a vida. Há, portanto, algo que pode se assemelhar ao que o conceito oriental do Yin-Yang evoca.

Pelos rumos da história, dificilmente haveria uma solução melhor a ser buscada, e essa percepção, com certeza, proporciona aos fãs um sentimento de satisfação e gratidão, por terem visto um digno encerramento, que, além de dotado de redenção, ainda consegue ser feliz e triste ao mesmo tempo.

Eu não preciso dizer que é claro que Jack consegue retornar ao passado e matar Abu. A maneira como a trama se desenrola para chegar a isso é o que constitui a surpresa dessa temporada da série.

OBS: Para os fãs mais hardcore, os personagens antigos da série chegam a reaparecer no confronto final contra Abu. E é claro que eu não poderia deixar de mencionar um hilário easter egg em um determinado episódio: durante a aparição de um trio de cachorros da comunidade de cães antropomorfizados, um deles é nada mais, nada menos do que uma versão antipática de Astro, o cão de estimação dos Jetsons.

PS: A nós brasileiros, resta esperar que a temporada chegue a ser exibida na TV fechada em versão dublada por aqui, pela TBS (emissora que costuma exibir produções do Adult Swim originais do Cartoon Network) ou por alguma outra emissora da Turner, já que o próprio CN não pode exibir em razão do teor mais adulto da produção.[


Fábio Reis

Fábio Reis

Graduado em Design Industrial pela Ufam

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