Os Flintstones (DC Comics)

Depois de muitas décadas sem novas histórias, tendo sido reimaginados apenas em dois filmes bem medianos, a icônica família da Idade da Pedra que abrilhantou a TV a partir dos anos 60 retorna agora retrabalhados em uma versão adulta através do selo “Universo Hanna-Barbera” da DC Comics.

Depois de ler “Future Quest”, o primeiro lançamento do selo, fui agraciado com a leitura dos dois volumes de “Os Flintstones”, uma sátira social que foca em várias questões, como política, religião, consumismo, ciências, casamento, trabalho, etc, adaptando-os ao contexto de uma civilização moderna que vive nos tempos da Pedra.

Dotado de muita ironia, humor negro e tragédias, a obra consegue fascinar, com explorações de conceitos interessantes a partir do universo da série: desde como os animais utilizados como eletrodomésticos se sentem, e do tipo de deus que é adorado em Bedrock, até a concepção de expansão narrativa do universo da série, mostrando coisas como a origem de Bedrock, as guerras enfrentadas por Fred e Barney antes do surgimento de uma civilização, a origem e a noção do conceito de casamento, e de que família Wilma veio e como isso moldou sua visão de mundo.

A obra, portanto, consegue elevar a um nível ainda mais maduro e genial a já interessante proposta da série animada. Para se diferenciar bem da versão original dos personagens, o estilo visual da HQ é bem realista. O design de produção e os figurinos são incríveis.

Divertindo, impressionando, fazendo refletir e até emocionando, criticando duramente a sociedade ao mesmo tempo que mostra resquícios de esperança nos melhores indivíduos dela, esta franquia, sem dúvida, consiste na mais inteligente dessa safra do selo “Hanna Barbera”. Leitura mais do que recomendável.


Fábio Reis

Fábio Reis

Graduado em Design Industrial pela Ufam

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