Divina Imperfeição

Aleijadinho é uma lenda da arte brasileira. Para alguns, tanto no sentido figurado quanto no sentido literalmente mítico da palavra.

Não é certo que tenha, de fato, existido, mas o melhor acerca dessa intrigante personagem que teria vivido no século 18, é que, ainda que seja fictício, sua arte é bem real, e marca a população de Minas Gerais com sua arquitetura inventiva inspirada no Rococó e nas esculturas de proporções anatômicas realistas e traços faciais caricatos, porém lindamente expressivos.

Grande escultor e arquiteto, dentre suas obras mais famosas estão os Doze Profetas para o Santuário de Congonhas, além de várias cenas da trajetória de Cristo na Via Sacra de Congonhas. São também dele o altar-mor da Igreja de São Francisco e os anjos da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, dentre outras inúmeras obras.

Segundo relatos, Aleijadinho era de aparência medonha, e sua mais prolífica fase de atuação foi justamente nos anos em que estava degenerando-se por conta de uma grave doença.

Curiosa a ideia de um homem medonho produzir uma estética com tanta beleza; de uma vida boêmia, vir a produzir tanta singeleza sacra; e de uma tão cruel doença, surgirem as mais belas obras religiosas do país.

   

Fábio Reis é formando em Design Industrial

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